30
mar
2012

Começa uma Nova Era – Escolha o Amor

 

Começa uma Nova Era – Escolha o Amor

Realmente quando parei para escrever pensei: que responsabilidade, ser colunista da TdB? Que loucura é essa?

Então me perguntei: o que me move nesta vida?

O amor.

E como falar de Odontologia, Saúde Coletiva, Turma do Bem, Voluntariado, Políticas Públicas sem falar de amor, esta energia que nos move o tempo todo e é nosso diferencial.

Aí percebo que não há mais tempo para sermos complacentes. Sinto que precisamos parar, pensar, meditar, agir e quando as paredes que nos cercam começarem a cair, nós veremos que são as mesmas paredes que nos aprisionaram por muitos anos.

Sinto o começo de uma Nova Era para Turma do Bem. E nós ainda procuramos por um dia glorioso, sendo que basta todos nós descobrirmos que, na verdade, somos membros de uma só família.

Eu acredito num Planeta Terra mais pacífico, saudável e igualitário para viver.

Muitos devem estar pensando: pura utopia, ela é louca! Sou louca mesmo, porque acredito que o caminho do perdão é esquecer a vingança e o da reconciliação parte da Educação. Acredito que na Terra a Gentileza criará uma só Nação que será boa para nossas crianças.

Tenha certeza de que tudo em que aplicamos nossa energia e emoções se torna realidade. Esse é o dom do ser humano de transformar.

Escolha o Amor e permaneceremos cada dia mais unidos.

Desperte, abra seus olhos, olhe a seu redor, conheça e acredite no verdadeiro amor.

Unidos nós resistiremos a tudo e a todos, separados cairemos e ficaremos fragilizados.

O momento é agora! Você é um, nós somos um e a vida é muito preciosa. Não desperdicemos tempo, façamos parte da mudança da História. Isso é MARAVILHOSO.

Eu sempre escolherei o amor em tudo que me propuser a fazer: e você?

Bom mais uma louca que vocês acabam de conhecer e que estará aqui tentando escrever mensalmente para vocês!

 

Adriana Papel Dib
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de São Luís de Montes Belos/GO

 



29
mar
2012

Eu recomendo!

por Nícia Paranhos Arruda
(coordenadora voluntária de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê/SP)

 

“Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.”

Começo assim, me definindo… sempre soube que para mim, era imperativo fazer alguma coisa para alguém. Sempre foi assim!

Agora me encontro num maravilhoso momento de plena realização de tudo isso. Achei o caminho certo (fazer o bem, justamente com aquilo que sei fazer melhor).

O voluntariado, transforma a vida das pessoas, muda conceitos, enfim, muda o modo de encarar a vida. Ele nos resgata, nos dá importância, nos dá credilbilidade, nos impulsiona… Ficaria horas elencando retornos “POSITIVOS” do voluntariado!

Agora, a minha mais recente descoberta, foi a mudança na minha família. Até então eu não sabia o quanto tinha incultido tudo isso aqui entre os meus mais próximos. Constatei que o trabalho para o BEM, não muda só as pessoas, e sim, muda todo um contexto, toda uma realidade, todo um relacionamento, toda uma convivência…

Como descobri tudo isso? Me permitam “colar” aqui, um trecho de uma correspondência recebida lá em Portugal, a maior recompensa de toda minha história: “Mãe, aproveita muito essa jornada e transmita aí em Portugal um pouco de tudo o que sempre nos deu… atenção, carinho, cuidados, enfim, tudo o que faz de você essa mulher tão especial. A nossa mãe, e BEM do pai, fazendo de nós, sempre homens melhores.”

Existe reconhecimento melhor?

Invistam no VOLUNTARIADO, eu recomendo!

 



28
mar
2012

Detalhes!

Detalhes!

Completando 43 anos de idade e ainda me pego muitas vezes me prendendo a detalhes!

Sou uma pessoa que não consegue mais viver sem pensar e fazer algo a quem realmente precisa de ajuda! Vejo muitos colegas ainda se prendendo a detalhes para não entrar numa causa séria e realizar um maravilhoso trabalho voluntario!

Vejo idosos na rua, como em Óbidos, Portugal, se distraindo e felizes contemplando a história, como se o tempo parasse em minutos de observação.

Detalhes num trabalho de artesanato, valorizando o que cada um tem de mais importante, o Amor, e o órgão que nos mantem vivos!

 

 

Viajando nestes dias frios, passarinhos se banhando numa fonte espanhola, à frente do castelo real! Detalhes curiosos de uma manhã madrilenha!

 

 

Sorrisos despretenciosos de jovens bem vestidos e com sinais de problemas bucais! Detalhes esquecidos nesse dia a dia europeu? Talvez…

Mas com certeza eu, como Dentista do Bem, não poderia deixar de prestar atenção e lamentar a falta ou diferença de cultura odontológica com relação aos problemas bucais!

Orgulho de ser Dentista brasileiro! Detalhe para alguns, fundamental na minha vida!

 

Marcos Jordão
Coordenador e DENTISTA DO BEM de São Paulo/SP



27
mar
2012

Em Portugal

 

Em Portugal

Bom, para quem não me conhece, eu me chamo Luciana Bason, sou coordenadora regional de Pindamonhangaba e a partir de agora também estarei aqui, escrevendo no site da TdB um pouquinho de minha vida. E isso não será possível sem falar na TdB, é claro! Hoje, por exemplo, vou falar sobre minha primeira viagem internacional.

Foram 13 dias em Portugal. Lindos, inesquecíveis. Lugares incríveis, pessoas lindas de coração e alma, lindos castelos, lindos museus, lindos passeios, que ficarão em minha mente e em meu coração pra sempre. Mas essa não foi uma viagem apenas a passeio. Pelo contrário. Eu e os outros coordenadores cruzamos o Atlântico para conhecer um pouquinho da realidade da saúde bucal dos portugueses.

Fui com um pouco de receio, preocupada com a recepção que me esperava – afinal, culturalmente, por lá há certo preconceito contra brasileiros. Para minha surpresa, e meu alívio, fui muito, mas muito bem recebida pelos dentistas e por toda população portuguesa. Fiz amizades que levarei para vida toda.

Fui convidada a dar entrevistas ao vivo em dois programas da rede de TV portuguesa RTP (como se fosse o SBT no Brasil): “Portugal no Coração” e “Portugal sem Fronteiras”. Sucesso total! Principalmente quando os apresentadores tinham que falar PINDAMONHANGABA.. eles se enrolavam e todos riam muito!

Também dei entrevista à Globo Portuguesa em um teatro no qual aconteceu o carnaval português com músicas populares brasileiras. Foi muito bacana, um momento em que me senti no Brasil e matei um pouquinho da saudade que estava sentindo daqui.

Tudo muito lindo, fomos triar adolescentes carentes para selecionar os que iriam ganhar o tratamento gratuito nos consultórios dos Dentistas do Bem portugueses.  E aí, tudo o que era lindo, um sonho, desabou.

Bocas totalmente cariadas, crianças com dor, que não sorriam, crianças que eram motivos de piadas na escola por terem dentes tortos e estragados. Ali, nem lembrava que estava em outro país. Os problemas eram exatamente iguais aos do Brasil… lá e cá, apesar de termos culturas diferentes e milhares de quilômetros de oceano nos separando, os problemas são sempre os mesmos.

Só tive a certeza que DENTISTAS DO BEM são necessários e indispensáveis no mundo todo!

 

Luciana Bason
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de Pindamonhangaba/SP



26
mar
2012

Confissões de um dia no aeroporto

 

Confissões de um dia no aeroporto

Meu vôo para Campo Grande atrasou 1 hora do previsto. Todos que vieram comigo de Portugal já foram embora. Já estou no meio da tarde e tomei banho ontem pela manhã, no Porto. Há mais de 24 horas estou sem escovar os dentes, mesmo período de tempo que o banho. Tem mais, paguei excesso de bagagem de 19 quilos e havia prometido para o meu filho que iria almoçar com ele e brincar a tarde inteira.

Por tudo isso, era pra eu estar louco de raiva. Por que não estou??? Minha conclusão é rápida e óbvia. Esta transformação tem nome e sobrenome: Turma do Bem. Ainda continuo anestesiado com tantas emoções vividas nestes últimos dias, surpresas, confirmações e acima de tudo respostas que fui buscar nesta viagem a Portugal com este monte de loucos.

Quando a gente trabalha com uma equipe pequena, na minha cidade somos só 2 coordenadores, desconfiamos se é mesmo possível trabalhar tranquilamente com 20, 30 pessoas diferentes.

Descobri nesta viagem que somos realmente todos diferentes. Diferentes na cor, no credo, na situação social, na preferência sexual e em muitas outras coisas. Mas somos exatamente iguais em um ideal. E por causa deste ideal nossas diferenças foram ficando cada vez menores, com o passar dos dias de convívio.

Nós, brasileiros, aprendemos com os portugueses e com uma colombiana linda, que os problemas bucais dos nossos jovens são iguais em qualquer cidade, nação ou continente.

Dar as mãos por uma causa justa é acreditar que juntos podemos tudo.

Fiz uma “reunião de alinhamento”, ouvi muito isso nestes dias, aqui sozinho neste aeroporto. Tenho pensado muito em planejamento, metas, estratégias. Mas não quero pensar mais sozinho ou em dois. Quero pensar e dividir em 20, 30. Não quero mais largar este povo todo.

Estou mudando… acho que o vôo vai atrasar mais um pouco do que foi anunciado e estou aqui, ainda calmo… tranqüilo… anestesiado por tudo que me transformou.

 

PS. Chegamos a São Paulo as 7:30 hs, meu vôo estava marcado para as 15h00 e atrasou 2h45, cheguei em casa às 19h00  e tudo estava bem como eu havia deixado.

 

Estevom Molica
Coordenador e DENTISTA DO BEM de Campo Grande/MS



23
mar
2012

O Herói de todos nós

por Luiz Roberto Scott
(coordenador voluntário de São Paulo/SP)

 

Desde pequeno eu o via sempre por perto, pronto a intervir se fosse necessário. Ele era grande, forte, enérgico e sábio. Nas duvidas e impasses do dia a dia, recorria-se à intervenção daquele que era o senhor supremo (sem ironia ou magoa, era assim que eu o via).

Ainda bem pequeno, lembro-me de aguardá-lo para remover os carrapichos que trazia, ao fim do dia, presos nas barras de suas calças. E nessa hora, removendo caprichosamente um a um, eu estava junto a ele, enquanto ele contava seu dia à minha mãe; falava de coisas que eu não entendia, mas não importava, o que valia mesmo era estar ali, e ao terminar a tarefa, poder então abraçar aquela canela que se encostava a meu peito como a lâmina de uma faca afiada- um verdadeiro HaraKiri. Era um momento de coragem e dedicação, onde eu demonstrava toda a minha admiração! E poder ficar ali, naquela posição, vendo-o de baixo para cima, a sua altivez, a sua simpatia, o seu carisma, era realmente recompensador. Suas mãos frias com as pontas dos dedos enrugadas, como se estivessem ficado horas imersas, teciam um carinho em meu rosto por uma boa ação, era a recompensa e o reconhecimento.

Estas mesmas mãos, que se tornavam ásperas e duras quando eram abaladas as estruturas impostas, quando se questionavam por atos ou palavras as suas designações. Nestes momentos, para mim, ele perdia toda a sua magnitude e sabedoria e tornava-se um ser normal como outro qualquer, sem brilho, apenas forte, e se necessário mais forte. Não gostava de vê-lo sem sua magia, por isso me incomodava muito quando eu ou um dos meus irmãos quebrava esse encanto.

Percebi, com o passar dos anos, que mesmo discordando de algumas opiniões e atitudes, eu poderia conviver e crescer sem querer mudá-lo; contava para isso com sua grandeza e sabedoria, contava com sua coerência. Podia me aproximar sem questioná-lo, podia ser eu e ele, aceitando-se e procurando entender um ao outro.

Foi assim que preservei o herói da minha infância e ganhei um grande amigo.

O herói continua lá, preservado na memória com toda sua magnitude; e o amigo, aqui, hoje, presente nas conversas, nas discussões, com nossas dúvidas e certezas trocadas num bate papo, numa cerveja, num uísque… ele a falar de seus filhos e eu a falar dos meus…
Assim como se cada azeitona fosse um carrapicho pinçado, um a um…

(Escrevi este texto a meu pai, no dia de seu aniversario em fevereiro de 2002; e foi o ano que ele faleceu em agosto. Que bom que pude falar isto para ele! )

PS: Morávamos na fazenda e meu pai era zootecnista- isto justifica os carrapichos…

 



23
mar
2012

Rel. de Atividades 2011



22
mar
2012

Como foi a sua primeira vez?

Como foi a sua primeira vez?

Eu nasci em pleno carnaval e desde muito pequeno vibro com a profusão de cores, sons e sentimentos desta festa que faz a fantasia escancarar a realidade. Amo o carnaval!

Por ser evangélica a maior parte da minha família não brincava nos blocos de carnaval. Mas acredito que, por serem educadores, compreendiam a sua importância cultural, em especial das escolas de samba com seus enredos divertidos e enriquecedores.

Foi natural a minha paixão por essa maneira peculiar de se contar histórias. Mesmo sozinho em casa eu virava a noite para assistir todas as escolas pela tv, tentava entender o significado de cada fantasia, o porquê de cada alegoria e me sentia habilitado para dar palpite sobre tudo. Durante o dia eu ouvia o LP dos sambas enredos ininterruptamente, construindo no meu imaginário o desfile ideal…e ali eu era carnavalesco, Rei, palhaço, mestre-sala, comissão de frente. Naquela brincadeira de criança eu era feliz!

Naquela época o meu sonho era assistir aos desfiles ao vivo, admirar os defeitos das alegorias feitas com esforço da criatividade popular, sentir a empolgação dos componentes em defender as cores e a tradição de suas origens, ser contagiado pelo sorriso e alegria de cada folião. E aplaudir seria a minha contribuição a toda aquela maravilha! Além da questão religiosa, a minha família também não dispunha de muitos recursos. Então, estava resignado de que este feito teria que ser adiado por muito tempo.

Mas a capacidade que algumas pessoas possuem de enxergar os outros e amá-los é transformadora.

E foi assim que a minha mãe acordou em um dia de carnaval disposta a me fazer sentir querido e, apesar de suas convicções religiosas e pouca verba, decidiu que iria me levar à Sapucaí. Descobriu onde conseguiria ingresso, preparou lanche, me pegou pelos braços e partiu comigo, sozinha, naquela aventura. Digo aventura porque naquela época ainda existia a “geral”, que ficava bem pertinho do desfile, era mais em conta, mas só dava para assistir de pé e imprensado. Mas eu vi tudo muito bem porque a minha mãe fez dos seus braços apoio para eu sentar a noite inteira.

Naquela noite, enquanto a Mangueira e a Portela disputavam o título de super campeã na inauguração do Sambódromo, aquela mulher transformava a minha vida. Era a primeira vez que sentia, com toda a intensidade, o que é ser amado e como isto faz bem. Aquele passeio não era somente a satisfação de um desejo. Significava muito mais. Deixava claro que alguém se importava comigo o suficiente para se esforçar e atuar em tarefas adversas ao seu gosto com a pura finalidade de me fazer feliz. Amei aquela noite e nunca mais a esqueci!

 

Saulo Nixon
Coordenador e DENTISTA DO BEM de São Gonçalo/RJ



21
mar
2012

Denuncie

Denuncie

 

Uma matéria sobre “licitações”, que passou no Fantástico de domingo (18/03), me chamou bastante a atenção.

Licitação é o procedimento administrativo para contratação de serviços ou aquisição de produtos pelos entes da Administração Pública direta ou indireta. Mais precisamente, uma concorrência. No Brasil, licitações de entidades que façam uso de verba pública são reguladas pela lei.

Na matéria, as empresas fornecedoras se unem para fraudar a disputa. A que quer ganhar paga uma porcentagem do total do contrato para as demais, que entram na concorrência com orçamentos mais altos (ou seja, entram para perder). Desta forma, elas conseguem ser “escolhidas” e, com o tempo, desviar uma parte do dinheiro.

Eu me pergunto: qual poder tem uma denúncia?

Após esta denúncia, não se parou mais de comentar sobre as fraudes de licitações. Virou notícia não só na Globo, mas em outras emissoras também, umas voltadas para licitações e outras para outros meios de desvio de dinheiro.

Está mais do que na hora das pessoas começarem a denunciar mais, lutar mais por seus direitos, “botar a boca no trombone”, até mudarmos de uma vez por todas essa corrupção que acontece bem debaixo do nosso nariz.

Um desvia um pouco aqui, outro desvia um pouco ali, e quando vamos ver, isso se torna MILHÕES, ou até mesmo BILHÕES por ano. E esse não é um dinheiro qualquer. É o nosso dinheiro, que deveria estar sendo usado para nosso benefício.

Com uma denúncia dessas, temos que tomar coragem e não deixar este assunto, assim como outros, terminarem em pizza. O poder de uma denuncia é grande. Mas quando se trata de um assunto que envolve corrupção, temos que nos unir para não deixar a denúncia cair no limbo e, assim, lutarmos para um país mais honesto.

 

Manoel Araujo
Beneficiário do projeto DENTISTA DO BEM de São Paulo/SP



20
mar
2012

Carinhoso

Carinhoso

 

Primeiro dia de atendimento depois de 13 dias ausente no consultório sempre causa reações das mais diversas na sala de espera.

Tem quem fique feliz por rever a dentista e saber que terá seu tratamento retomado… tem quem fique emburrado porque, afinal, a “paradinha” no tratamento estava ótima… há quem nem se afete com nada disso, afinal, nem sabia que a dentista estava fora do país (paciente novo)… Mas a reação mais bacana é aquela de quem acompanha de perto a profissional e volta muito curioso e interessado querendo saber como foi a viagem, o trabalho, os lugares visitados.

E com a agenda com horários apertados nessa fase, não temos como nos alongar muito nas conversas e elas acabam virando manchetes rápidas e breves ou, como eu mesma denominei, as “conversas documentários” – aquelas onde o paciente apenas ouve, mas não pode interagir, perguntar, participar, afinal tem sugador, luz, algodão…e tudo começa assim:

- Oi Dra! Como foi de viagem? Como foi em Lisboa? Não vai me dizer que não foi no Castelo de São Jorge!?

- Claro que estive, querida! Lindo lá, né?

Sugador, grunhido: – Ahn hã…

Impossível não visitar monumental construção de inquestionável beleza e importância histórica! Mas apenas passear, observar, fotografar e comprar ímãs de geladeira teria sido um lugar comum, uma rotina de turista. Porém, quando se está num grupo de 20 dentistas brasileiros voluntários da Turma do Bem, o improvável acontece.

Estávamos, naquele momento, num grupo menorzinho, com coordenadores de Pindamonhangaba -SP, Belo Horizonte-MG, Mogi das Cruzes-SP, Campo Grande-MS, Campinas-SP, Florianópolis-SC e Rio de Janeiro, subindo e descendo as muralhas, apreciando a construção, a vista de toda Lisboa, rio Tejo, numa mistura de sensações, numa quase confusão de tempo e espaço, ouvindo muitos idiomas, escolhendo o melhor ângulo para a foto e na luz ímpar que Lisboa tem ao pôr do sol.

Até aí tudo na mais esperada e óbvia ordem, até que começamos a ouvir uma melodia velha, conhecida, vinda do violão de um artista no pátio do Castelo. Por uns segundos uma hesitação do grupo, mas, passados alguns acorde,s impossível não reconhecermos a canção.

Veio um estranho aperto na garganta, um arrepio, uma umidade nos olhos e todos os sete nos entreolhamos,
instintivamente começamos a cantar:

“…e os meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas,
vão te seguindo, mas mesmo assim, foges de mim!
Ah, se tu soubesses como eu sou tão carinhoso e muito que te quero,
e como é sincero o meu amor, eu sei que tu não fugirias mais de mim!”

Sim, estávamos todos cantando no alto da secular muralha, olhando para o violonista, numa feliz coincidência de pessoas, lugares e tempo que fez aglomerarem-se no pátio dezenas de pessoas que, sorrindo, paravam para assistir.

Seguimos firmes cantando e, ao final, todos os presentes aplaudiram muito a inesperada apresentação, o violonista levantou e agradeceu num aceno singelo.

Foi emocionante demais cantar dentro de um local construído para guerras e conflitos, foi emocionante cantar uma música brasileira, cantar com colegas dentistas, Dentistas do Bem, sentir sincronicidade e sinergia.

Choro coletivo e abraços.

Castelo de São Jorge, nós não somos os mesmos depois disso.

Quando terminei minha “conversa documentário”, mas ainda em atendimento, recebi um aplauso simbólico da paciente, com a ponta dos dedos das mãos, para não atrapalhar a polimerização da resina!

E depois tem gente que me pergunta: o que você ganha com essa Turma do Bem?

Respondo ‘…e só assim então, serei feliz, bem feliz!”

 

 

PS: Pindamonhangaba – Dra.Luciana Bason
Belo Horizonte – Dra.Fátima Porto
Mogi das Cruzes – Dra. Roberta Sueli
Campinas – Dra. Renata Cancian
Florianópolis – Dra. Carla Fey Krieger
Campo Grande – Dr. Estevom Molica
Rio de Janeiro – Dra. Hellen Mary

 

Renata Cancian
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de Campinas/SP