19
mai
2014

Yes, nós escovamos os dentes!!!

por José Henrique Sironi, dentista do bem de Laranjeiras do Sul/PR

 

Há mais de 10 anos esperando um programa permanente de fornecimento de kits de higiene bucal para a população, fiquei otimista quando, em 2013, recebemos do Ministério da Saúde um guia sobre a saúde bucal.

Num primeiro momento pensei: que legal, primeiro eles mandaram os guias, a fim de ensinar os cuidados para os pacientes, e em alguns dias eles mandarão as escovas… as pastas… e o fio dental… pois, se investiram milhões nesses livretos, certamente investirão os mesmos milhões no kit.

Bom, já estamos na metade de 2014, entregamos todos os livretos que recebemos e até agora não recebemos o Kit para escovação.

Cansado de esperar, resolvi criar uma solução paliativa para esta situação: confeccionar escovas com os livretos doados para a população… afinal, de que adianta saber escovar e não ter a condição de fazê-lo?

Nesta SÁTIRA, critico a política pública de saúde bucal e a sua lógica peculiar. E, caso não fique claro, deixo aqui uma explicação: ESTE É UM VÍDEO DE HUMOR E AS ORIENTAÇÕES APRESENTADAS NELE NÃO DEVEM SER COLOCADAS EM PRÁTICA EM HIPÓTESE ALGUMA, POIS NÃO SE TRATA DE UMA TÉCNICA DE ESCOVAÇÃO LEGÍTIMA.

Obrigado…

 

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28
abr
2014

1998

por José Henrique Sironi, dentista do bem de Laranjeiras do Sul/PR

 

Quanta expectativa criei quando, em 1998, preenchi minha inscrição para o vestibular da Universidade Federal do Paraná no curso de Odontologia. Naquele mesmo ano, concluíra um tratamento que tinha iniciado há sete anos, após quebrar (pela segunda vez) os incisivos superiores. Desta vez, o custo da brincadeira foi de R$ 1.200, pagos em quatro cheques pré-datados e com desconto, por não precisar de nota fiscal.

A princípio, minha mãe orientou-me que fixasse o fragmento com super bonder. Recurso que durou exatos quatro dias e me proporcionou experiências angustiantes de ter o dedo colado dentro da boca a cada retoque (jeitinho que se dá quando você é estudante do interior e a grana é curta).

Fazia cursinho particular em um dos melhores colégios de Curitiba. Boa parte dos recursos da família eram revertidos para me manter estudando. Parentes organizaram uma “vaquinha” e mensalmente era depositado em minha conta um valor para que “me virasse” na capital. Nada poderia ser desperdiçado, muito menos a chance, talvez única, de passar no vestibular e voltar para casa como “doutor”. Mesmo assim, precisei procurar um dentista.

Fiquei deslumbrado com a clínica odontológica onde fui atendido. O banheiro luxuoso, a decoração da sala de espera. O fato de precisar ser indicado por algum paciente de confiança… de não ser apenas um dentista e sim, três, cada um especialista em uma área. Nunca tinha entrado em um consultório assim… Me apaixonei perdidamente, pela profissão ($$$) e pela endodontista, que era linda. “É isso que quero pra mim… Algo que misture a saúde, a arte e que ganhe dinheiro… Esta profissão me trará tantas alegrias!”.

Confesso que o desejo da família era que me formasse médico… o meu, nem tanto… queria ser artista plástico (“Nossa! Você é talentoso !” – cresci ouvindo isso dos professores, dos amigos e primos ). Mas aqueles acontecimentos recentes influenciaram de forma significativa a minha escolha.

Que ilusão… Há pouco precisei votar nos Ilustríssimos Conselheiros do órgão que nos representa aqui no Paraná… e minha sensação não é mais de deslumbre, como quando entrei naquela clínica. Meu sentimento é de nojo… Nojo por ser obrigado a votar em uma chapa única, que sequer sei se me representa (sob ameaça de multa se não o fizer). Nojo por ter uma odontologia cara e para poucos, sem perspectiva de mudança. Nojo por trabalhar em um país que investe bilhões em coisas supérfluas e exige mendicância para fornecer escovas de dente de R$ 0,35 para a população.

Votei… com um profundo desejo de vomitar sobre a urna. Arte contemporânea…

 

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23
abr
2014

Colunistas 2.0

por José Henrique Sironi, Luiz Gustavo Oliveira, Luiz Roberto Scott, Marília Martins, Nícia Paranhos Arruda e Walter da Silva Jr.

 

Novas ideias, velhos colunistas… Um formato diferente para um projeto diferente. É isso o que a TdB propôs ao nos convidar para escrevermos aqui – e, mais que isso, para reformularmos um espaço que já existe desde 2012.

Sabemos que com o crescimento da rede, o desafio de levar informações atualizadas e precisas aos voluntários também cresce. E para dar conta disto, é preciso buscar novas formas, novos métodos e principalmente, novos canais de comunicação. É aqui que nós seis entramos.

Cumprimos dois papeis importantes: levar, através de nossas experiências, algumas diretrizes de trabalho a nossos colegas e ser a voz dos voluntários junto à TdB. Uma via de mão dupla que será um elo importante no fortalecimento da relação entre a TdB e seus quase 15 mil dentistas do bem.

Sabemos que nem sempre comunicação e compreensão caminham juntas. Entretanto, é nosso dever estreitar a relação entre as duas… instigando, provocando e refletindo junto com todos.

Por isso, os leitores podem esperar uma linguagem suave, direta, antenada com a realidade, mas também forte e crítica quando a situação exigir. Tudo com a cara da TdB e um toque de revolta e inconformismo.

De nossa parte, esperamos que todos comentem, compartilhem e também usem esse espaço em favor de todos aqueles que fazem a Turma do Bem.

PS: Além disso tudo, a TdB também pode esperar um pouco de atraso na entrega dos textos. RS.

 

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