por Luiz Roberto Scott
(coordenador voluntário de São Paulo/SP)

 

Naquela mesma manhã , Treivis apresentaria seu trabalho de pesquisa para a classe. A professora Inez ressaltara a importância do conhecimento das biografias e das histórias das pessoas que hoje davam nome a praças, escolas e monumentos. Conhecer a história de seu lugar e quem foram as pessoas notórias do passado, o que , como e porque assim ficaram conhecidas é puro exercício de cidadania, alertava ela. Seu personagem sorteado fora o Conselheiro Antônio Prado, que dava nome a sua escola, no bairro da Barra Funda.

- O Conselheiro Antônio Prado foi o intendente da cidade de São Paulo, na República Velha, em 1989, passando depois a prefeito até 1911. Sendo assim o prefeito que ocupou o cargo durante mais tempo na história da cidade, narrava Treivis. – A classe permanecia atenta, Treivis fizera uma boa pesquisa e estava seguro na sua explanação… – Vale lembrar que o bairro da Barra Funda tem este nome porque nesta região a barra do rio Tietê era funda. Esta área abrigava a Chácara Carvalho, de propriedade da família de Antônio Prado, e ele morava num casarão projetado pelo mesmo arquiteto do museu paulista, mais conhecido como museu do Ipiranga. Mais tarde este casarão abrigaria o colégio madre Cabrini. A implantação do sistema de energia elétrica em São Paulo, em 1900, está entre suas realizações mais conhecidas; também a Pinacoteca, a estação da Luz e o Teatro Municipal. Embora este tenha sido inaugurado na gestão seguinte à sua, foi com Antonio Prado que ele foi construído e finalizado. Foi banqueiro, fundador do conhecido Comind, e presidente da companhia paulista de estradas de ferro, além de fazendeiro e cafeicultor…

Enquanto discorria quase mecanicamente, Treivis se inquietava com a lembrança do pai que nunca tivera, qual teria sido sua obra?

- … E faleceu em 1929, finalizou Treivis.

A sua apresentação fora a última das biografias da semana. Voltou à sua cadeira e agora ouvia a prof. Inez:

- Meninos reparem e pensem… Em entrevistas livres às pessoas, a grande maioria manifesta-se sempre em busca da felicidade… qual seu maior desejo? Ser feliz… Ter uma vida digna e ser feliz… etc… Em suas pesquisas de biografias, onde está o espaço na linha do tempo da figura notória que demonstra a felicidade?

A espécie humana, se autoqualifica e é medida pelo que faz e não pelo que sente… O que fica para a história destas pessoas todas que pesquisamos? Seus feitos, totalmente circunstanciais, uma vez que ocuparam cargos públicos e transitórios e não necessariamente cargos vocacionais… Estavam prefeitos, estavam governadores etc …

Certamente eles também quiseram ser felizes… E provavelmente o foram em pelo menos parte de suas vidas. Mas raras são as biografias que citam isto… A de Paulo Freire, o grande educador começa assim… fui feliz…

Apesar de serem lembrados pelo que fizeram, devemos lembrar que eram movidos pelo que sentiam… isso os levava aos feitos… Não são coisas antagônicas, nem dispares… São intrinsecamente dependentes. Com muita sagacidade Mario Quintana deixou em seu epitáfio: Não estou aqui !

Os trabalhos de vocês todos estavam muito bem elaborados, parabéns!

Lembrem-se desta frase de Carlos Drummond de Andrade e levem isto para suas vidas:

” Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro.

Que ela possa vir com toda a simplicidade de dentro para fora, de cada um para todos”

Até amanhã…