por Luiz Gustavo Oliveira
(coordenador voluntário de Teresina/PI)

 

Como acontece nos países pobres africanos (que já não aceitam mais nem indústrias de celulose, por exemplo), os Estados mais pobres da federação, como Piauí e Maranhão, ficam com a pior parte do progresso: as usinas altamente poluentes de produção de energia.

É um absurdo que não se discuta com a sociedade a instalação das usinas de extração de gás de xisto na bacia sedimentar do Rio Parnaíba. Tudo está sendo feito a toque de caixa, sem a mínima discussão do impacto ambiental dessa exploração. Pouca coisa sai na mídia, e quando sai é vendida a falsa informação de que isso representa um avanço para os Estados que receberão estas usinas.

Somos pobres e não estamos acostumados com dinheiro, e acho que porque somos pobres, nosso governador, nossos senadores e deputados – que deveriam nos proteger de certas ameaças -, se comportam como prostitutas de luxo a serviço das grandes empresas do setor de gás e petróleo. Só falam nos bilhões que serão depositados na economia local e não discutem o que realmente importa,  a saúde e o bem estar real de milhões de pessoas que vivem nessa regiões.

O que adianta ter dinheiro se não há saúde? O pior é ver também que a sociedade não está preparada pra esse debate, desconhecendo o tema e suas graves implicações. E dessa ignorância e alienação total, as raposas do poder se aproveitam para praticar o lobby dos grandes empresários do setor.

A exploração de gás de xisto por fraturamento hidráulico do solo tem sido apontado como a grande causa da contaminação do solo, do ar e dos leitos naturais nos EUA com substâncias benzoativas cancerígenas, metais pesados e outros, provocando inúmeras mortes por câncer e envenenamento nas comunidades próximas. Sem contar as cidades fantasmas que vem surgindo por conta da total impossibilidade de se respirar o ar ou consumir água, mesmo estando a milhares de quilômetros das áreas de exploração.

Para quem deseja conhecer a realidade, sugiro que assistam o documentário “Terra do Gás”.  É estarrecedor o impacto da atividade exploratória do xisto por fraturamento hidráulico e, mais ainda, a omissão das autoridades para os problemas causados por ela.
Preparem-se pois é isso que teremos no Piauí e no Maranhão em alguns anos.

É uma questão realmente muito séria para simplesmente não fazermos nada.