18
Maio
2012

Comodidade

Comodidade

Em algumas ocasiões estamos cômodos, mas quando queremos algo mudamos.

Nunca tive o hábito de ler livros. Sempre lia uma matéria interessante aqui, um blog ou outro acolá. Nunca tinha sentido a magia ainda da leitura. E, acomodado com isso, passei muito tempo assim.

A história mudou quando um amigo me emprestou um livro chamado Caninos Brancos, de Jack London. Disse que eu iria gostar do livro e que ele seria um passo para criar o hábito da leitura.

Não é que gostei ?

O livro conta a história de um jovem lobo, que vive grandes aventuras. Em uma dessas aventuras ele encontra o animal-homem, descobrindo o seu lado ruim, como o bom, a partir de então a historia fica muito interessante…

Este livro me fez ter outra visão, me fez conhecer a magia da leitura. Algumas partes eu tive que reler para entender melhor. Entretanto, no decorrer da leitura as coisas foram fluindo mais fácil. Cada detalhe descrito pelo autor era uma nova imaginação que ia surgindo… e me surpreendendo com algo que eu não conhecia ainda.

Está mais do que na hora de sairmos da zona de conforto, enfrentarmos novos desafios e desfrutarmos de coisas novas e desconhecidas, que podem ser tão boas quanto ler.

 

Manoel Araujo
Beneficiário do projeto DENTISTA DO BEM de São Paulo/SP



17
Maio
2012

A mudança depende de nós

A mudança depende de nós

Faz algum tempo que venho tentando ingressar no serviço público através de concursos para dentista do município, do estado e/ou governo federal. Em meados de abril passado, fiz outra prova para prefeitura e senti a mesma sensação de sempre: prova de concurso pode servir pra muita coisa, menos selecionar adequadamente o profissional para a função que ele irá executar. Quem já fez concurso pelo menos uma vez na vida sabe disso. Fica sempre a sensação de estar sendo usada uma ferramenta inadequada. Afinal, na prática, no dia a dia de trabalho, serão exigidas outras tantas habilidades e conhecimentos que não estão sendo contemplados na matéria da prova.

Todos nós sabemos a vergonhosa realidade dos postos de saúde e da falta de respeito com que são tratados os usuários (cidadãos que por lei têm direito de ser assistidos pela rede pública). Seja por parte do governo com seu descaso, ou pela vergonhosa postura antiética e nada profissional de uma grande maioria de profissionais.

Assunto mais do que debatido e comentado é o comportamento do servidor público: preguiçosos, acomodados, desinteressados, descomprometidos. Querem a segurança da estabilidade, mas sem dar nada em troca. Afinal, eles acham que o maior sacrifício que tinham que fazer já foi feito no dia que passaram no concurso, e ponto final! Agora é “bater cartão” e deixar passar o mês sem estresse, na “maciota”, para receber o pagamento e os benefícios, que como autônomo em seu consultório, ele não tem.

Sabotadores de equipamentos, criam justificativas concretas para tirar suas luvas e máscaras e poder ir tomar um cafezinho! Boicotadores de colegas que tentam “sair do esquema” e incomodam por serem produtivos no trabalho, honestos com a população e com os deveres assumidos no momento de assinar a nomeação. Esse é o perfil da grande maioria dos profissionais da rede pública, claro que com exceções.

Aí, vem a pergunta: “E mesmo sabendo de tudo isso por que eu ainda quero entrar nessa?”. Bem mais cômodo e tranquilo assistir de fora e fingir que não tenho nada com isso, certo?

Errado. Sei que estar numa equipe com vícios antigos de relacionamento, comportamento e descaso não é tarefa fácil. Tentar operar mudanças e transformações em fórmulas antiquadas e ultrapassadas de um sistema sem gestão, ou com gestão incompetente, politiqueira, pior ainda. Mas se ninguém mexer uma palha, nada muda.

Por acreditar em mudanças, sinto que são necessárias pessoas capacitadas e éticas que tenham vontade de fazer a diferença. Não dá pra ver o sistema falindo e ficar de braços cruzados. Conheci professores de saúde coletiva que com grande conhecimento de causa mostraram na prática que tudo isso pode sim mudar e muito!

Claro que tem muita coisa envolvida: vontade política, engajamento, compromisso profissional, cobrança (de uma sociedade amadurecida e conhecedora de seus direitos), articulação com Conselho de Saúde e profissionais capacitados que consigam sensibilizar os gestores (sabem o que estão falando, baseados em evidências). Cabe a cada membro envolvido, mesmo que à distancia, fazer a sua parte. Seja denunciando, cobrando, instruindo, fazendo seu papel de cidadão e de profissional.

Sonho? Utopia? Não acho… Acho muito possível. Agora, se ficarmos parados, apenas lamentando, nada vai mudar!

 

 

Renata Cancian
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de Campinas/SP



17
Maio
2012

Megatriagem



16
Maio
2012

Faça certo a coisa certa

Faça certo a coisa certa

Certa vez um pai de uma adolescente percebeu que sua filha estava chateada com alguma coisa. Há algum tempo já havia reparado que a menina andava mais quieta do que o normal. Interessava-se pouco pelos assuntos domésticos, preferia a solidão do quarto do que a vida familiar na sala de TV e não ria mais das brincadeiras bobas que ele fazia – o que em outras épocas era certeza de gargalhadas.

Sentiu culpa… achou que havia feito alguma coisa de errado e que não estava conseguindo descobrir… mas logo em seguida. o pensamento foi racional: “Mas eu sou um bom pai! Sou presente, pago uma boa escola, preocupo-me com sua saúde, compro roupas, sempre dei tudo do bom e do melhor para ela… o que fiz de errado?”

Realmente ele era um pai EFICAZ, fazia o que devia ser feito para ser pai, “fazia a coisa”. Mas isto não resolveu a quietude da menina-moça. Pensando mais um pouco, resolveu conversar com ela. Talvez ela estivesse com algum problema. Foi até seu quarto e começou a bater papo, falou sobre a adolescência, sobre seus conflitos nesta idade, sobre a como é difícil crescer etc. Foi um bom papo… durante alguns minutos a menina riu, abraçou o pai como se dissesse, fique tranquilo pois eu te amo. Neste momento ele foi EFICIENTE, “fez a coisa certa”, foi conversar com a filha.

Mas no dia seguinte a cara fria e sem vida voltou à face da menina – que num passe de mágica ele começou a enxergar como mulher. E percebeu que sim, ela devia precisar de ajuda, devia estar com algum problema, precisava conversar… mas qual seria esta conversa?

Então, à noite, retornou ao quarto da moça e perguntou: “Filha o que está acontecendo? Eu posso ajudá-la de alguma forma?” A menina-moça-mulher, entã deitou-se em seu colo e por horas contou-lhe sobre seu amor platônico e não correspondido por um menino da escola, o primeiro de muitos que viriam. Neste momento, após ter feito a pergunta certa, este pai foi EFETIVO, “fez certo a coisa certa”.

Na vida e nos negócios, fazer a pergunta certa aumenta consideravelmente as probabilidades de FAZERMOS CERTO AS COISAS CERTAS e de sermos consequentemente efetivos, ou seja, termos os resultados que esperamos de nossas ações.

 

Ricardo Lenzi
Consultor de Gestão e Marketing em Saúde,
Sócio-Proprietário do Altera e parceiro da TdB



15
Maio
2012

Sorriso do Bem 2012



15
Maio
2012

Pacto dos Prefeitos



15
Maio
2012

Café faz bem à saúde

Café faz bem à saúde

Quem é aquela pessoa? Uh, como se chama, mesmo? Nossa, qual é o nome dela? Bem, não sou o único que se viu nessa situação! Muita gente tem dificuldade para se recordar dos nomes de pessoas cujas vozes ou rostos lhes são familiares. Quer algo mais constrangedor do que encontrar um paciente em um ambiente fora do consultório e o chamarmos de ‘senhor’, ou ‘querido’ porque o nome dele não nos vem?

Recentemente, li o livro “Como fazer amigos”, escrito por Dale Carnegie, em 1937. Naquele tempo, o autor afirmou que se habituar ao nome das pessoas é muito importante para todos os tipos de relacionamento: pessoal ou profissional. Ele afirma que se quisermos um amigo ou que alguém se simpatize por nós, precisamos repetir o nome dele(a) num encontro, um ano depois que o(a) vimos pela última vez. Por outro lado, poderemos ganhar uma antipatia gratuita ao falar ou escrever o nome de alguém de forma incorreta: ninguém aceita, isso incomoda muito!

O interesse do autor por esse assunto começou na sua infância, quando ganhou um casal de coelhos. Como era de se esperar, eles procriaram! O garoto não tinha como alimentar tantos coelhos porque era pobre, mas não queria doar os filhotes. Para solucionar o problema, divulgou às crianças da rua que daria aos coelhos os nomes daquelas que trouxessem alimentos aos animais. O plano funcionou. Ele alimentou a prole. Eis o motivo de tantas placas com nome de pessoas que ajudaram hospitais, universidades e instituições filantrópicas.

Todos querem que seus nomes sejam lembrados corretamente. E por falar em nome, vou lhes contar uma de minhas experiências: Tomo café diariamente porque gosto e sei que até cinco xícaras diárias faz bem ao fígado. O cafezinho é um antidepressivo natural, sendo contra-indicado apenas para hipertensos, segundo relatos científicos. Há mais de dois anos, após o almoço, dirijo-me ao mesmo lugar, onde a mesma moça faz meu café. Sempre conversamos durante esses momentos de preparo do café e, após ler o livro acima citado, percebi que não sabia o nome dela. Sequer havia um crachá para me ajudar. No auge da minha angústia para descobrir seu nome, ela me disse: “Sabe, Dinho (ela sabia meu apelido, o que me envergonhou mais), gostaria que me ajudasse a entender o resultado de um exame que saiu hoje. Eu não entendo o que está escrito nele”.

“Claro que sim”, respondi imediatamente! Peguei o papel e lá estava o nome dela em letras garrafais, saltando-me aos olhos: “Ana”. Corri os olhos e assustei-me com o diagnóstico: alteraçōes neoplásicas em glândula mamária. Convivi dois anos com a Ana do café, sem identificá-la nominalmente. Fiquei triste pela circunstância como descobri seu nome e quero agradecer, aqui, a todas as Anas que estão em nossa volta, assistindo-nos, auxiliando-nos e distribuindo sua bondade, porque a nossa dificuldade de memorização nos trai quase sempre.

Morro de inveja do meu professor de anatomia da graduação que até hoje sabe meu nome e sobrenome. Mas não tenho esse dom. Tenho utilizado técnicas para melhorar esta deficiência, mas não funcionam satisfatoriamente para mim.

A rua onde moro, se fosse possível, chamaria Rua das Anas, para homenagear todos que merecem ter seus nomes gravados em minha memória. Agora, a boa notícia: a Ana do café está curada e feliz neste momento.

 

Osvaldo Magro Filho
Coordenador e DENTISTA DO BEM de Araçatuba/SP



14
Maio
2012

Personagens reais

por Luiz Gustavo Oliveira
(coordenador voluntário de Teresina/PI)

 

Em minhas crônicas utilizo-me de personagens que fizeram ou fazem parte da minha vida. São amigos, parentes ou simplesmente conhecidos. A maioria das histórias é verdadeira. Outras, apenas fruto da minha imaginação. Outras ainda, uma mistura das duas coisas.

Entre estes personagens recorrentes e reais, quero-lhes apresentar um que é muito importante pra mim, Padre Florêncio Lecchi, ou simplesmente Padre Flôr.

Padre Florencio é um sacerdote jesuíta nascido em Bérgamo na Itália e radicado no Brasil desde os anos 50. Há mais de 40 anos reside em Teresina. Foi meu professor de Química no Colégio Diocesano e é mentor espiritual de várias gerações de alunos. Sua influência na formação dos jovens, e seu incondicional amor à Igreja o tornaram um personagem mitológico e referência obrigatória na memória da comunidade a que pertence.

Ele possuía (ainda é vivo, mas não leciona mais) uma maneira muito própria de dar aulas, misturando ensinamentos de Química com sermões de moral, ética e comportamento.

Certa vez, dando uma aula sobre indicadores químicos, nos presenteou com essa pérola:

“Os indicadores químicos são substâncias através das quais é possível observar o desenvolvimento de uma reação química pela mudança de suas cores. Os indicadores são como as meninas do Colégio das Irmãs. Quando estão aos beijos com seus namoradicos ficam todas vermelhas. Quando os pais as surpreendem no flagra, ficam todas brancas!”

Para aqueles que costumavam sentar no peitoril em frente à sua sala, dizia: “Peitoril não é bundaril!”

Na sua matéria, não utilizamos livros mas apostilas feitas por ele. No rodapé destas, vinha escrito: “Estudar, estudar, estudar. Todo o resto: MOSCAS!!!”

Sua maneira rígida e seus pensamentos conservadores o tornava um ser temido por uns, mas amado por outros tantos. Haviam garotos que faziam de tudo pra não cruzar o caminho dele. Ser seu aluno então, Deus o livre!

A grandeza do espirito e da inteligência desse homem sempre foram pra mim um grande referencial. Seus conselhos e orientações estão guardados comigo pra sempre.

Compartilho com vocês, uma entrevista que publiquei na internet feita por outro amigo e personagem real de minhas histórias, o João Cláudio Moreno. Quem tiver paciência de assisti-la até o final será agraciado com uma verdadeira aula de filosofia, humanismo, fé, valores morais, éticos e cristãos. Coisa rara nesses tempos de hoje. Espero que apreciem.

 

ENTREVISTA COM O PADRE FLORENCIO LECCHI



11
Maio
2012

Pátria amada, Brasil!

Pátria amada, Brasil!

O caos da escola pública é velho conhecido da sociedade. O agravamento da situação tem sido percebido por alunos, pais e sociedade… e justamente em um momento em que o país vive um “up” no seu desenvolvimento social e econômico.

Isto representa uma propaganda extremamente negativa para a carreira docente. Cada vez menos pessoas se interessam em fazer um curso de licenciatura. Isso, somado ao fato de que a maioria dos professores que hoje leciona está na contagem regressiva para a aposentadoria, cria um clima de legítima pressão salarial.

Trocando em miúdos: o salário tem que subir para forçar o interesse na carreira e assim equilibrar a relação. Senão, o resultado é uma crise por falta de professores.

E daí?

Neste exato momento, estamos ouvindo aqui na UFPE, comentários sobre a chegada de uma greve. Nada foi comprovado ainda, mas, já houve paralisação, professores militando sobre o assunto… e o motivo?  Defasagem salarial.

É triste ouvir falar em greve. Há cidadãos que gritam alto pelo direito de protestar, de fazer greve. Alegam que a greve é um instrumento legítimo para verem os direitos respeitados. Todavia, o que não levam em conta é o direito das outras pessoas.

A greve será um instrumento legítimo sempre que, com esse ato, não seja desrespeitado o direito dos outros. Se desrespeitar, por mais justa que seja a discussão, a greve não será legítima. Poderá ser legal, mas não será honesta. Não podemos desejar, como pessoas lúcidas, que o nosso direito afronte o direito do nosso semelhante.

Discutir com o patrão um salário mais justo, por exemplo, é um direito que temos. E é um dever do patrão pagar-nos o que nos seja devido. Entretanto, a comunidade à qual servimos não pode pagar o preço da nossa contenda. Se o médico deixa de atender os doentes, não é o patrão que ele está afrontando, mas sim a comunidade. Se o professor deixa centenas de pessoas analfabetas, está faltando com o sentimento de fraternidade e com o dever assumido perante a própria consciência.

Não sabemos se de fato a greve irá ocorrer. Se ocorrer, não sabemos quanto tempo vai durar. Não pretendemos entrar em férias forçadas, nem tampouco atrasar nosso curso, o que nos resta é rezar.

Cleferson Ferreira
ESTUDANTE DO BEM de Olinda/PE



10
Maio
2012

Chuvas na Amazonia

Chuvas na Amazônia

Nunca vi tanta água em um mês só. O rio transborda, o céu falta cair sobre nós. Chuva como essa só a floresta aguenta, porque se fosse no sudeste, com certeza virava desastre…

Infelizmente a turbulência não vem só do céu. Na terra, na minha terra, a verba indenizatória fez desastre e virou motivo de mais um achincalhe contra nós. Ainda se fosse só isso… mas não!

O novo Governador, considerado na última eleição o salvador da pátria, tem 35 contas bancárias com suspeita de improbidade. A edição da revista Época não desceu em Macapá esse mês. Aqui ninguém viu, leu ou comprou… e será que foi o mesmo evento misterioso que aconteceu com o deputado estadual que coordenava a CPI da Saúde, que decolou com seu jatinho e depois de 4 minutos, o avião deu pane caiu e explodiu?

Uma coincidência ou aviso sobrenatural da natureza, dando um basta a tanta sujeira? Não sei se realmente  aconteceu isso, mas no dia 20 de abril a chuva lavou com tanta força e violência essa terra, que tudo parou por 4 horas. Telefones, luz, internet (já é parado mesmo, tsc tsc). Será que foi Divino, sobrenatural ou coincidência? Já que o povo não reage, alguma coisa ou alguém resolveu reagir?

Que vergonha, até a chuva não aguenta mais….

 

Daiz Nunes
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de Macapá/AP