16
Maio
2013

Você está se preparando pro futuro?

por Walter da Silva Jr.
(coordenador voluntário de Bauru/SP)

 

Esse texto é mais direcionado aos “odontossauros” de plantão, mas serve de alerta aos mais novos também.

Parece que foi ontem que me formei. Costumo dizer a meus alunos que os primeiros cinco anos demoram a passar, mas depois disso… Já vou pra 26 anos de formado.

Como a grande parte dos colegas, fomos preparados pra trabalhar. Estudar, se especializar e trabalhar mais! Vejo amigos de outras áreas, principalmente concursados, se preparando para aposentar e eu nem imagino quando. É claro que a profissão liberal tem suas vantagens, mas se não houver planejamento, ficamos reféns dela. Mas, QUEM SABE a hora de desacelerar?

Gosto muito do sociólogo italiano Domenico De Masi (autor de “Ócio criativo” e “Economia do ócio”, dentre outros) que enfatiza em seus livros a importância do ócio. Segundo ele, se todos trabalhassem meio período não haveria desemprego no mundo. Defende também a flexibilização dos horários de trabalho, que faz a produtividade aumentar com menos horas trabalhadas. Como não fomos preparados para usufruir da aposentadoria, quando chegamos ao merecido descanso não sabemos muito bem o que fazer. Concordo que para a geração de nossos pais e avós isso era normal, comum! Inclusive porque a expectativa de vida era bem menor. Hoje, uma pessoa que se aposenta por volta dos 60 anos tem ainda uns 20 para viver e, na maioria da vezes, não sabe como aproveitar.

Esse post não é para dar conselhos nesse assunto, mesmo porque não sou a pessoa mais indicada. Tenho tentado planejar com carinho meus dias futuros de descanso, mas ainda me parecem bem distantes.

E você, já está se preparando pro futuro?

 



15
Maio
2013

Reprise

por Nícia Paranhos Arruda
(coordenadora voluntária de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê/SP)

 

Peço licença para os leitores dessa coluna do ano passado, para “repetir” meu artigo do mês de maio/2012, onde escrevi sobre minha mãe. É que, como sei que neste ano aumentou o número de leitores, com muita gente nova na nossa turma (TdB), gostaria que todos ficassem conhecendo um pouco sobre ela também… e aproveitando que estamos no mês das MÃES…

……………..

Homenagem

Não sinto inveja de ninguém (eita sentimento “pequeno”). Pelo contrário, vibro muito quando tenho notícias de que alguém se deu bem, ganhou alguma coisa, trocou o carro, comprou uma casa, fez uma viajem etc. Mas tenho que confessar que morro de inveja da minha costureira.

Imaginem vocês que ela está disponível apenas até as 16h00 porque todas as tardes ela toma café com a MÃE. Tem coisa melhor que poder trocar idéias com a mãe todos os dias? (Sempre me pego, tomando “emprestado” a mãe de alguém, rsrsrsr…)

Minha mãe foi uma mulher batalhadora, se casou aos 33 anos, nos idos anos de 1954, onde já era considerada ” solteirona”. E sabe por quê? Não tinha tido tempo pra namorar, pois trabalhava fora, não era “dona de casa”. Fato este inédito, pois somente uma minoria de mulheres naquela época se arriscavam trabalhar fora de casa, principalmente numa cidade pequena do interior, diferente dos dias de hoje.

Então tenho o maior orgulho em dizer que minha mãe foi “pioneira” e que sempre esteve à frente do seu tempo. Ah! Esqueci de dizer que trabalhava fora numa profissão masculina, como Cartorária, e sem ter concluído o primeiro grau de escolaridade. “AUTODIDATA” foi a melhor definição que ouvi da minha mãe, dita por um primo meu mais velho, e que me encheu de orgulho…

Continuando… Com apenas 15 anos de casada e com duas filhas (14 e 12 anos) ficou viúva e com a missão de concluir a educação e formação das filhas, pois em casa os papéis eram invertidos. Meu pai que ficava em casa com as obrigações domésticas e minha mãe trabalhava fora (em agosto, no mês dos pais, eu conto sobre meu pai, capítulo à parte ).

Nós, as filhas, fomos então submetidas a um regime quase militar. Pra ela era imprescindível que fôssemos exemplos, pois tinha que provar que “conseguiria” ainda que sem a ajuda da figura masculina. Nunca se permitiu um segundo casamento. Nada que algumas “armações” não aliviassem um pouco esse regime, rs.

Consideramos que cumpriu muito bem seu “intento”. Com muita luta, formou suas filhas – minha irmã é médica -, nos passando valores e condutas de vida inquestionáveis.

Quando já desconectada da vida (minha mãe sofreu de Mal de Alzheimer), minha maior aflição era de que tudo que ela mais lutara na vida (que foi para nos dar um estudo), foi justamente o que nos impediu de cuidar dela o tempo todo. Com nossas profissões não tínhamos total disponibilidade. Então a solução foi contar com enfermeiras, 03 na verdade, que no final foram suas filhas, pois a referência mais próxima eram elas. Nós, as filhas éramos as “estranhas” – muito triste isso!

Conto tudo aqui, para fazer uma homenagem à minha mãe e deixar meu recado: Tirem o maior proveito da companhia e da convivência da MÃE , aproveitem o dia das mães para se redimirem de “pendências”, coloquem em dia seu amor por elas…

Mamãe, a senhora me deixou exemplos, valores e condutas que até hoje me norteiam. Tento te imitar nessa difícil missão de “criar e educar filhos”. Agradeço e reconheço o privilegio de ser tua filha!

 



14
Maio
2013

Pensando e repensando!

Pensando e repensando!

Fiquei pensando um tema para nossa coluna de maio, quando recebi de uma amiga um email com a redação de uma estudante, que diz tudo que todos nós da Turma do Bem sempre estamos discutindo. Achei muito interessante e quis repassar aqui:

………….

‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta?

Abundância de inexistência…

Exagero de escassez…

Contraditórios?

Então aí está!

O novo nome do nosso país!

Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.

Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.

Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.

Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil, está mais para madrasta vil.

A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira.’

Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

E mesmo há 200 anos não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome.

Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir.

Ela me daria um verdadeiro pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.

A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade.

Uma segue a outra…

Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição.

Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.

E a educação libertadora entra aí.

O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito.

Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura.

As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)…

Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra?

De que serve uma mãe que não afaga?

E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?

Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo.

Cada um por todos.

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.

Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil?

Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil?

Ser tratado como cidadão ou excluído?

Como gente… Ou como bicho?

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel Vianna Silva, 26, estudante que termina Faculdade de Direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio daOrganização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade.’ A redação deClariceintitulada ‘Pátria Madrasta Vil’,foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site daBiblioteca Virtual

 ………….

 Selma Rocha
Coordenadora de Curitiba/PR


13
Maio
2013

Projeto Estudante do Bem

Minha experiência no projeto Estudante do Bem

O garoto que apresento a vocês é o Giovanni Silva de 11 anos. Ele é o morador de uma região muito pobre de São Bernardo do Campo. Cheguei a ele por meio da indicação de uma amiga.

Além de ele apresentar problemas bucais e dores desde os quatro anos de idade, sua história de vida é muito triste. Seu pai era alcoólatra e ele presenciava as discussões e até agressões contra sua mãe. Ela por sua vez teve problemas com paralisia infantil, o que causa dificuldades motoras, fazendo com que a mesma não consiga trabalhar. Hoje, o Giovanni vive somente com sua mãe, pois seu pai os abandonou.

Tive uma imensa dificuldade em fazê-lo abrir a boca para as fotografias. Alem disso, o pequeno garoto não consegue conversar olhando no rosto das pessoas. Ele fala de cabeça baixa e muitas vezes desvia o olhar.

Vejo nesse personagem real a história de muitos adolescentes do nosso país. Giovanni se tornou um adolescente tímido, retraído e envergonhado. Isso é resultado de tudo que relatei acima e, principalmente, por não conseguir sorrir. Ou seja, sem preparo para enfrentar o mundo e as pessoas.

Durante a conversa informal, comentei sobre a possibilidade de ele ganhar o tratamento odontológico completo, pelo projeto Dentista do Bem. Nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas e pude perceber a importância disso na vida desse garoto.

Eduardo Fraga
Estudante do Bem de  São Bernardo do Campo/SP



10
Maio
2013

Apenas um grão de arroz

Apenas um grão de arroz

Acho meus textos muitos ruins. Sem falsa modéstia. Sou muito falante, mas na hora de escrever… trava. Penso em mil coisas ao mesmo tempo. Quero escrever tudo e depois vou eliminando. Resultado: tempos depois, leio o texto que consegui produzir e tenho um surto. Conto até três e digo: Jakeline, você é dentista! Não é jornalista e nem escritora. E é muito boa essa sensação de autocrítica, pois é um sinal de evolução e maturidade. Claro que a produção textual está muito relacionada à leitura e não leio tanto quanto gostaria. Considero este exercício tão essencial quanto o alimento. E se é tão importante, gostaria que este texto pudesse alimentá-los, nem que fosse com um grão de arroz.

Para isto vou contar uma história que aconteceu na década de 80, uma época em que não existia uma preocupação e nem campanha da ONU contra o desperdício de alimentos, pois segundo pesquisa do Instituto de Engenharia Mecânica do Reino Unido (IMechE),quase metade da comida produzida no mundo é jogada fora. E boa parte desse desperdício, constatou a organização, acontece em casa.

Dona Ana era uma senhora de seus noventa e muitos anos, nada mesquinha e nem sovina, pelo contrário, muito generosa. Procurava sempre manter-se ocupada com alguns afazeres domésticos leves.

Certo dia, enquanto catava o arroz, sua filha a observava e notou que, vez por outra, escapava um grãozinho de arroz no chão. Dona Ana prontamente se reclinava e o colhia. A sua filha vendo o risco nos seus movimentos disse:“Mamãe, é apenas um grão de arroz que não fará falta nenhuma.”

A idosa pegou o grão de arroz com as pontas dos dedos e mostrando para a menina falou: “Filha, você sabe fazer um igual?”

Ela sorriu e respondeu: “Não, mamãe!” Dona Ana então completou: “Então não desperdice!”

Pequenas atitudes como esta da Dona Ana geram grandes mudanças. Claro que um grão de arroz isoladamente não faria falta alguma, mas o somatório de pequenos desperdícios resulta em toneladas de alimentos no lixo.

Jakeline Dantas Tavares
Coordenadora de Pelotas/RS 



09
Maio
2013

Cenouras russas, Piauí, xadrez e outras histórias numa só.

por Luiz Gustavo Oliveira
(coordenador voluntário de Teresina/PI)

 

Tempos atrás, fui viajar. Andei por Londres, Paris, Roma. Estive na Praça de São Marcos. E lá, virei-me para não sei quem e perguntei: – “E os pombos? Onde estão os pombos?” Apontaram: – “Olha ali.” Protestei: – “Não são pombos, são turistas americanos.” Só então soube que os turistas americanos estavam ali, substituindo os pombos. Que fiz? Atirei o milho que trazia nos bolsos. Foi lindo ver o açodamento com que os turistas americanos bicavam o milho pelo chão.

Mas eu já conhecia tudo aquilo de cor. Já no tédio do turismo convencional, tive uma luminosíssima ideia: – “Vou a Moscou.” Três ou quatro dias depois, estava na fila do túmulo de Lênin. Entre parênteses, Lênin morreu quando devia morrer. Nem um minuto antes, nem um minuto depois, mas na hora certa. Vivesse mais quinze minutos e seria um outro Trotski. Mas já estou me desviando do assunto e passo adiante.

Onde é que eu estava mesmo? Já sei. Dizia que fui a Moscou. Com meia hora de Rússia, baixou-me uma inconsolável nostalgia do Brasil. Andei cochichando para um dos acompanhantes: – “Como isso é chato! Como isso é chato!” E assim que pude, voltei para o Brasil. Desembarquei no Petrônio Portela, e fui assaltado por amigos, conhecidos e parentes. Todos perguntaram: – “Que tal? Que tal?” Percebi o seguinte: – o sujeito que vai à Rússia, e pelo fato de ter ido, adquire uma dimensão especialíssima. Fiz então suspense, fiz mistério. Só falei no apartamento de mármore do Kadashevskaya Hotel no qual me hospedara há poucos metros do Kremlin. Depois de um imaginário pigarro, improvisei esta síntese fulminante: – “Os russos já comem três cenouras por dia.” Os presentes se entreolharam, num deslumbrante horror: – “Três cenouras!”.

Quando acabei de falar, João Cláudio Moreno, que, num canto, ouvia tudo, abriu a boca: – “Hoje, o russo come três cenouras. No tempo do Czar, comia uma.” E, assim, segundo eu de um lado e o João do outro, o papel do socialismo foi acrescentar, ao prato do povo, mais duas cenouras.

Tanto eu como o João, tivemos que ir a Moscou para falar sobre cenouras. Muito melhor fez nosso amigo José Napoleão Filho. Nunca esteve na Rússia embora conheça todo o resto do mundo. Pois bem. E, um dia num desses casamentos da alta sociedade tupiniquim mafrense no qual ele refestela-se quase todos os fins de semana, um decote pediu-lhe uma frase sobre o mundo soviético. O meu amigo não respondeu imediatamente. Fez um suspense e, por fim, disse: – “A Rússia é o Piauí com rampa de mísseis.” Vocês entendem? Ninguém precisa ir à Rússia. Basta ler a frase da Rússia. Os sujeitos que vão lá não percebem que aquilo não passa de um Piauí, naturalmente ampliado (tamanho “família”), com a rampa de mísseis.

Aliás, a frase do Napoleão só tem um defeito: – é injusta com o Piauí. O seu autor admite uma certa semelhança do nosso brioso Estado com a União Soviética. Tanto que seria igual á Rússia se também tivesse os “mísseis”. Acontece que o Piauí nunca estuprou a integridade do piauiense, nunca o transformou na antipessoa. Aqui, a pessoa humana é a pessoa humana. Ao passo que a Rússia desumanizou o russo.

Se me perguntarem por que estou dizendo isso, explico: há alguns dias assisti a um documentário de produção brasileira sobre o período da Guerra Fria onde tudo era motivo para uma intensa disputa politica-armamentista entre Estados Unidos e União Soviética. De viagens ao espaço aos jogos olímpicos, tudo servia para a propaganda que procurava mostrar a superioridade de uma nação sobre a outra. Muito mais que isso, estavam em jogo dois regimes de governo que se opunham ideologicamente, o capitalismo e o socialismo. Até o campeonato mundial de xadrez serviu para alimentar a rivalidade entre americanos e russos. De tão interessante, me aprofundei no tema. Vejam o que descobri.

Em 1972, disputaram o título deste campeonato o soviético Boris Spassky, campeão do mundo, e o americano Bobby Fischer, o desafiante. Pela primeira vez, um jogo que o homem comum não entende, e considera chato, fascinou o mundo. No Brasil, em todas as esquinas e botecos, discutiu-se a sensacional competição.

Eu disse sensacional, e por que sensacional? Não éramos analfabetos em xadrez? Éramos. Não continuamos analfabetos? Continuamos. E, então, por que dois jogadores adquiriram uma súbita e espetacular popularidade? Por que a partida de xadrez, mais que uma partida de xadrez, era o confronto de duas realidades. Não sei se me compreendem. Eis o que eu quero dizer: – o comportamento dos contendores exprimia aquelas realidades.

De um lado o burocrata soviético; de outro, o americano, vivendo a sua liberdade, até as últimas consequências. Resumindo: – socialismo e democracia. Vejam bem: – não o cotejo de socialismo e capitalismo, mas socialismo e democracia. Bobby Fischer fez o que quis e como quis. Inventou um comportamento que não foi jamais de jogador de xadrez e, muito menos, em plena decisão de um campeonato mundial. Fischer agia e reagia como se aquilo fosse uma reles pelada. No primeiro dia, perdeu a partida por que não compareceu, simplesmente não compareceu. Meteu-se com uma pequena, foi ao cinema com a pequena e, quando se lembrou, tinha passado da hora. Vira-se para a garota, às gargalhadas: – “Imagine, perdi a hora!” A pequena riu também e emendaram o cinema com um jantar.

Compareceu à segunda partida, embora atrasado, e ainda atrasado, e ainda de ressaca. Ao chegar (e apesar da ressaca), riu da cara do adversário. Eu falei em duas realidades, de uma brutal dessemelhança. Acontece que a realidade soviética até hoje não ri, não acha graça, não faz piada. Bóris Spassky usou, para todas as partidas, a mesma cara sinistra. Fischer deu-se ao luxo de perder o primeiro jogo.

Não só Spassky era sinistro como também seus assessores. O que o americano andou fazendo não é normal. Houve dias, em que só faltou virar cambalhotas plásticas, elásticas, ornamentais. E começou o massacre do russo. No pavor de qualquer originalidade, nem Spassky, nem seus assessores queriam nada com a imaginação. De vez em quando, o americano parava: – “Vou-me embora.” Todos se arremessavam: – “Embora por quê?” Um dia, ele reclamava contra o barulho. No dia seguinte, contra o silêncio. Nada descreve o que a TV sofreu na sua mão.

Os lances do americano eram cada vez mais livres. E, pouco a pouco, o nosso Bóris e seus assessores iam sendo dominados psicologicamente pelo inimigo. Na Rússia, já se dizia que Fischer hipnotizava Spassky. A superioridade do americano sempre foi humilhante. Eu disse que a esposa do soviético veio correndo injetar-lhe um pouco de otimismo? Veio. Mas tudo inútil. O inevitável aconteceu. Spassky só teve uma solução: – correr fisicamente da luta. Sumiu. O juiz esperou mais do que devia. E, finalmente, declarou Bobby Fischer o novo campeão do mundo.

Os jornais russos até hoje estão xingando Fischer de débil mental. Mas Spassky também não ficou impune. No dia seguinte à derrota, o Kremlin passou a considerá-lo um renegado.

Não há, porém nenhum mistério na derrota cômica. Venceu o homem livre, por ser livre, e perdeu o escravo, por ser escravo. É possível que Spassky esteja correndo e continue correndo até a consumação dos séculos.

 

Para saber mais sobre essa história, clique aqui.



08
Maio
2013

Tá na Hora de Agir

Tá na Hora de Agir

Confesso que passei algumas horas pensando em como começar esse texto, e depois de pensar muito, cheguei à melhor frase possível…

Somos um bando de chorões! Eu e você!

Quem me conhece, sabe que eu uso bastante o Facebook! E foi lá que eu cheguei à conclusão ali de cima.

Nós reclamamos de tudo! Reclamamos da segunda-feira, reclamamos do paciente que falta, reclamamos da pessoa que falou mal de nós pra outra pessoa, reclamamos dos políticos, reclamamos da fome no mundo e de mais um monte de coisas.

Que tal se, ao invés de reclamar de tudo, a gente começasse a procurar soluções?

Comecei a pensar nisso depois de conhecer duas pessoas! A primeira eu vi num filme chamado “127 Horas”, um filme baseado na história de Aron Ralston, um alpinista que lutou para salvar a própria vida após um acidente. Ele lutou contra a morte por 5 dias e se não fosse pelo desejo de encontrar uma solução para o problema dele (por mais que essa solução fosse extremamente dolorosa), ele teria morrido.

Não assistiu a esse filme ainda? ASSISTA!

A segunda pessoa é um tal de Fábio! Um dentista DOIDO que no seu desejo de mudar alguns cenários, conseguiu juntar mais um bando de malucos e, bom, o resto vocês já sabem, né?

Galera!!! O planeta não vai parar de girar e quem vai fazer dele um lugar um pouco melhor para nossos filhos e netos, serão os que vão tirar a bundinha do sofá e irão procurar soluções pra tudo o que incomoda, nem que isso seja doloroso e nos tire da nossa zona de conforto! Os dois caras, que citei neste texto, poderiam muito bem apenas reclamar das situações que eles encontraram e, eu tenho certeza que, se eles publicassem essas reclamações no Facebook, uma galera iria curtir, apoiar, comentar, compartilhar e… Não fariam nada a respeito!

Que sejamos nós os que irão agir!

Pra terminar esse texto, deixo um trecho de Gabriel, o Pensador!

“Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!”

Pensem nisto!
Fui!

Thiago Gimenes
Coordenador de Votorantim/SP



07
Maio
2013

EL PASAPORTE

El Pasaporte

Viajábamos a Atlanta un viernes a las 9:30 am, todo lo teníamos preparado porque era nuestro primer viaje a Estados Unidos. Estábamos muy contentos, la noche del jueves hicimos maletas todo muy normal, sacamos nuestros pasaportes para el viaje y revisando el mío veo que tenía el pasaporte vencido hacía 6 meses, por lo tanto no podía salir del país y ya eran las 10 pm del jueves. Mi esposo y yo entramos en pánico, ¿que hacíamos? le dije que viajara él con nuestro hijo y que yo viajaría el sábado pagando la multa por cambiar el día de viaje.

Pero surgió un problema, mi esposo no podía salir con nuestro hijo sin una autorización autenticada donde yo permitía que el niño pudiera viajar solo con el papá. Entonces nos surgieron 3 ideas para solucionar el problema: Una era que yo estuviera antes de las 8 am ( a esa hora empieza la atención al público) en la notaria, hacer la autenticación de la carta de salida y llevarla al aeropuerto para que ellos pudieran viajar, Dos: llegar al aeropuerto hablar en inmigración para dar la autorización verbal y pudieran viajar ellos dos, sino autorizaban correr a la notaria para autenticar la carta de salida y Tres: llegar al aeropuerto, hacer el check-in de los tres e irme al ministerio de relaciones exteriores ( también abrían a las 8 am) para sacar mi pasaporte nuevo. ¿Cual creen que opción escogimos?

Pues nos arriesgamos y escogimos la tercera, obviamente esa noche no dormimos nada, nos levantamos a las 4 de la mañana nos arreglamos, cogimos maletas y llegamos al aeropuerto hicimos el check-in y yo salí corriendo a renovar mi pasaporte. Llegue al ministerio antes de las 7am, me tome la foto y esperar una hora hasta que abrieran. Yo era la segunda en la fila porqué de primero estaba un chico que viajaba también ese día a Atlanta de trabajo con su jefe y tenía su pasaporte vencido, dándose cuenta cuando hizo el check-in y el jefe no sabía. Por lo tanto la angustia de los dos era terrible, rezábamos, llorábamos y hasta nos reíamos. Por fin abrieron el ministerio a las 8 am entramos como unos locos pidiendo el favor que nos ayudaran, que nuestro vuelo salía a las 9:30 am. Todo el trámite de expedición del pasaporte de los dos duro 20 minutos nos ayudaron mucho y nos regañaron un poquitín. Cuando nos entregaron los nuevos pasaportes todas las personas que estaban en el ministerio nos aplaudieron y gritaban que alcanzáramos el vuelo.

Salimos corriendo, yo tenía un carro que me estaba esperando y nos fuimos, el conductor hizo maromas para llegar al aeropuerto y eso que habían muchos trancones por obras, pero gracias a Dios pudimos llegar al aeropuerto a las 9 am y a las 9:20 am ya estaba sentada en el avión con mi esposo e hijo. Cuando llegue a la puerta de abordaje las personas de la aerolínea no podían creer que yo y el otro chico estuviéramos abordando el vuelo.

Y efectivamente el vuelo a Atlanta salió a las 9:30 am muy puntual.

Conclusión POR FAVOR siempre miren el vencimiento de su pasaporte, porque nosotros solo miramos que estuviera al día la visa americana.

Monica Toro
Coordenadora de Bogotá/COL 



06
Maio
2013

Mais 11 mulheres selecionadas para o Apolônias do Bem




Em uma triagem realizada no dia 19 de abril, 22 mulheres foram examinadas, no CDCM Casa Cidinha Kopcak, no bairro de São Mateus. Dessas, 11 foram selecionadas. Elas receberão tratamento e poderão sorrir novamente, graças ao projeto Apolônias do Bem. Essa foi a terceira triagem do ano e até o momento 25 mulheres já foram beneficiadas em 2013.



06
Maio
2013

Oração

Oração

Perante alguns nãos de colegas dentistas, diretores de escola e céticos, vi neste poema de Madre Tereza a força que move a TdB:

Oração de Madre Teresa de Calcutá – “Muitas vezes o povo é egocêntrico, ilógico e insensato. Perdoe-o assim mesmo. Se você é gentil, o povo pode acusá-lo de egoísta e interesseiro. Seja gentil assim mesmo. Se você for um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo. Se você é honesto e franco, o povo pode enganá-lo. Seja honesto e franco assim mesmo. O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo. Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja. Seja feliz assim mesmo. O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã. Faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja você que, no fim das contas, é entre VOCÊ E DEUS. Nunca foi entre você e o povo”.

 

Angelita Gubolin
Coordenadora de Ferraz de Vasconcelos/SP