A Pele que Habito

Tenho uma inexplicável preguiça de ir ao cinema, pois assistir filmes me traz bastante prazer. A lista dos filmes que me interessam sempre está enorme. O último que assisti foi “A pele que habito” do Pedro Almadóvar, de quem sou fã. Ele tem sempre uma “tijolada” para acertar na cabeça. E como é delicioso mudar de ideia, enxergar um pouco mais…

Para quem não assistiu ao filme ainda, não serei desagradável de desvendar o mistério. Porém posso contar que o filme narra a estória de um cirurgião obcecado em criar uma pele quase invulnerável e mantém uma jovem presa em um cômodo da sua casa para que ela possa ser cobaia de seu maior experimento.

Essa cobaia tem sua aparência totalmente transformada, vira outra pessoa literalmente! A ponto de parecer impossível se identificar com sua personalidade anterior e se reconhecer nesse novo corpo. Nesta etapa do filme já estamos sem saber qual parte de nós diz mais de nós mesmos: espiritual ou física?

Assusta sermos tão reféns de nossa aparência.

Então já quase ao final do filme, a cobaia que já foi totalmente mutilada assiste a um programa de yoga quando ouve o seguinte: o que você é pertence a você, ninguém tem o poder de mudar sem a sua permissão. Achei incrível!

Nos últimos meses tenho ouvido falar tanto de bullying, da geração que se importa em ter ao invés de ser, ou ainda naquela que está mais preocupada em aparentar ter. Sinto que as pessoas estão dando mais importância ao que os outros acham delas do que elas sabem quem realmente são. Ou elas não sabem?

Concordo com o filme que o interior (alma, espírito, energia, seja lá o nome que for) nos identifica mais, portanto esta deve ser preservada, cultivada e amada.

Portanto deveríamos nos importar menos com a cor da pele, o tamanho do nariz, o diâmetro da cintura, a marca do jeans, o modelo do carro e tentar descobrir um pouco mais das pessoas, elas podem ser muito interessantes!

 

Saulo Nixon
Coordenador e DENTISTA DO BEM de São Gonçalo/RJ