por Walter da Silva Jr.
(coordenador voluntário de Bauru/SP)

 

Me lembro ter participado de uma manifestação na época da faculdade. Já nem me recordo mais qual era a reivindicação. Sentia que deveria estar lá mas sem muita convicção. Tinha 18 ou 19 anos.

O que tem acontecido mais recentemente me chama a atenção por algumas diferenças: as pessoas, independentemente da idade estão mais cientes do que querem, há um objetivo comum entre todos e mostra claramente que o brasileiro deixou as discussões sobre seu time de futebol ou a seleção para segundo plano (ufa, já era tempo!).

Aqui em minha cidade, a mobilização foi contundente e sem violência. As pessoas clamavam por tarifa menor, melhora no transporte público e mais transparência do poder público.

Fizemos cartazes, gritamos “vem pra rua, vem”, palavras de ordem e seguimos o trajeto decidido por todos. De repente um tumulto me chamou atenção. Devido à grande concentração de pessoas achei se tratar de um furto pois um jovem estava sendo retirado por 2 adultos. Quando passaram por mim, notei que eram os pais desse jovem o retirando da passeata. Ele tentava argumentar mas os pais estavam irredutíveis. Receberam muita, mas muita vaia por essa atitude. Fiquei vendo, estático, a cena e imaginando o porquê disso tudo. A importância da mobilização perante os filhos é uma das coisas mais interessantes disso tudo, no meu ponto de vista. A demonstração da força de união, da insatisfação e mudança de valores é essencial na formação desse jovens.

Somos um país com uma cultura de corrupção desde seu descobrimento. A ideia de “levar vantagem” era até explorada por uma marca de cigarro na década de 70, lembram? A frase “só pra inglês ver” foi cunhada na época do Brasil colônia. A Inglaterra havia proibido o tráfico de escravos em concordância com Portugal. Só que internamente, as coisas aconteciam normalmente.Baseado nisso, o pensamento deve ser mudado. E vejo nos mais novos que isso não está distante. Nossos exemplos irão ratificar essa ação.

Outro fato interessante aconteceu em nossa rede de voluntários. Em dois dias zeramos 18 vagas em aberto depois de disparar email para a rede. Isso é a demonstração de que os protestos são imprescindíveis para mudanças mas que devemos continuar fazendo nossa parte. Esse é o exemplo mais marcante que vemos na Turma do Bem.