por Luiz Roberto Scott
(coordenador voluntário de São Paulo/SP)

 

A agressão contra as mulheres fere muito além do local atingido… Alcança a geração seguinte, os filhos, que mesmo não presenciando as agressões (e tomara que não!), convivem e são orientados por mães mutiladas em sua autoestima e confiança. É sabido que respeito, companheirismo e confiança são requisitos básicos na estruturação emocional do individuo, como afirmam vários psicoterapeutas. São esses justamente os três princípios ausentes em casos de agressão e violência doméstica, seja física ou verbal. Quando se auxilia na reconstrução dessas mulheres, e este termo – reconstrução- transcende a parte física, estamos ajudando a criar bases sólidas para alguém que tem a responsabilidade direta no desenvolvimento de outros indivíduos – seus filhos, e nos filhos de seus filhos… etc, etc. Devolvem-se respeito e confiança a quem precisa estar ereta e disposta a apontar aos filhos as melhores direções a seguir na vida.

Muitas vezes ficamos até chocados com a espontaneidade com que as crianças nos contam coisas. A Marília Martins expressou isso muito bem em sua crônica e eu gostaria de pegar uma carona no texto dela e mostrar algumas coisas que também vimos nesta triagem na Casa de Isabel. O foco aqui são os filhos que vieram acompanhando estas mulheres. Duas coisas me chamaram a atenção: a beleza das crianças e a quantidade de coisas que elas nos contaram, silenciosamente…

 

Como disse Paulo Freire, nós temos que ter esperança do verbo esperançar, porque há outros que têm esperança do verbo esperar.
Esperança do verbo esperar, não é esperança, é espera: eu espero que dê certo, espero que funcione, espero que resolva…
Esperançar é ir atrás, é juntar, é não desistir.

NA. A musica do vídeo é “Here comes the Sun”, dos Beatles por J. Pizzarelli. Num jogo de palavras entre coming soon, coming sons, e suns…