Aula do Bem

O que pensar de jovens recém-chegados àUniversidade, doidos para mudar o mundo, reafirmar sua personalidade, suas opiniões e que estejam ansiosos para transformar a realidade daqueles menos favorecidos que compõem nossa sociedade partida e desigual?

Como professor do Ensino Superior penso que o grande papel dos educadores é despertar nos jovens o espírito transformador. Em Brasília tive a grata felicidade de conseguir aliar minha vontade e determinação de fazer o bem juntamente com o bem mais precioso da minha profissão: os estudantes. Confesso que vivi um momento sublime na nossa megatriagem da TdB, ocorrida em março. Muitos estudantes de Odontologia se destacaram e com uma grande vontade de ser útil e de ajudar, fizeram a diferença como voluntários. Percebi que esses jovens não estavam presentes por caridade, mas sim com uma enorme vontade de aprender mais com essa experiência.

Nesse sentido, Corrullón e Medeiros Filho, em 2002, definem que o trabalho voluntário não deve ser confundido com obra de caridade, pois na caridade há a simples doação, sem nada em troca. No trabalho voluntário há a doação de um trabalho que necessita ser feito e que, em troca obtém-se experiência, como: trabalho em equipe, integração, flexibilidade, visão de futuro, otimismo e outras importantes nuances que podem ser vividas e aplicadas no desenvolvimento pessoal e profissional. Quer formação mais importante do que essa?

Sabe-se que o processo formativo do futuro cirurgião-dentista deve ser pautado pelas diretrizes curriculares estabelecidas pelo MEC, mas pode e deve ir muito além das fronteiras da sala de aula ou das amarrias curriculares que muitas vezes dificultam a formação humanística tão necessária. Podemos sempre empreender socialmente e precisamos pautar a formação de muitos jovens para esse despertar.

As mudanças que o mundo tanto precisa estão nas mãos desses jovens que de fato podem construir uma nova sociedade.

Eric Jacomino Franco
Coordenador de Brasília/DF