Café faz bem à saúde

Quem é aquela pessoa? Uh, como se chama, mesmo? Nossa, qual é o nome dela? Bem, não sou o único que se viu nessa situação! Muita gente tem dificuldade para se recordar dos nomes de pessoas cujas vozes ou rostos lhes são familiares. Quer algo mais constrangedor do que encontrar um paciente em um ambiente fora do consultório e o chamarmos de ‘senhor’, ou ‘querido’ porque o nome dele não nos vem?

Recentemente, li o livro “Como fazer amigos”, escrito por Dale Carnegie, em 1937. Naquele tempo, o autor afirmou que se habituar ao nome das pessoas é muito importante para todos os tipos de relacionamento: pessoal ou profissional. Ele afirma que se quisermos um amigo ou que alguém se simpatize por nós, precisamos repetir o nome dele(a) num encontro, um ano depois que o(a) vimos pela última vez. Por outro lado, poderemos ganhar uma antipatia gratuita ao falar ou escrever o nome de alguém de forma incorreta: ninguém aceita, isso incomoda muito!

O interesse do autor por esse assunto começou na sua infância, quando ganhou um casal de coelhos. Como era de se esperar, eles procriaram! O garoto não tinha como alimentar tantos coelhos porque era pobre, mas não queria doar os filhotes. Para solucionar o problema, divulgou às crianças da rua que daria aos coelhos os nomes daquelas que trouxessem alimentos aos animais. O plano funcionou. Ele alimentou a prole. Eis o motivo de tantas placas com nome de pessoas que ajudaram hospitais, universidades e instituições filantrópicas.

Todos querem que seus nomes sejam lembrados corretamente. E por falar em nome, vou lhes contar uma de minhas experiências: Tomo café diariamente porque gosto e sei que até cinco xícaras diárias faz bem ao fígado. O cafezinho é um antidepressivo natural, sendo contra-indicado apenas para hipertensos, segundo relatos científicos. Há mais de dois anos, após o almoço, dirijo-me ao mesmo lugar, onde a mesma moça faz meu café. Sempre conversamos durante esses momentos de preparo do café e, após ler o livro acima citado, percebi que não sabia o nome dela. Sequer havia um crachá para me ajudar. No auge da minha angústia para descobrir seu nome, ela me disse: “Sabe, Dinho (ela sabia meu apelido, o que me envergonhou mais), gostaria que me ajudasse a entender o resultado de um exame que saiu hoje. Eu não entendo o que está escrito nele”.

“Claro que sim”, respondi imediatamente! Peguei o papel e lá estava o nome dela em letras garrafais, saltando-me aos olhos: “Ana”. Corri os olhos e assustei-me com o diagnóstico: alteraçōes neoplásicas em glândula mamária. Convivi dois anos com a Ana do café, sem identificá-la nominalmente. Fiquei triste pela circunstância como descobri seu nome e quero agradecer, aqui, a todas as Anas que estão em nossa volta, assistindo-nos, auxiliando-nos e distribuindo sua bondade, porque a nossa dificuldade de memorização nos trai quase sempre.

Morro de inveja do meu professor de anatomia da graduação que até hoje sabe meu nome e sobrenome. Mas não tenho esse dom. Tenho utilizado técnicas para melhorar esta deficiência, mas não funcionam satisfatoriamente para mim.

A rua onde moro, se fosse possível, chamaria Rua das Anas, para homenagear todos que merecem ter seus nomes gravados em minha memória. Agora, a boa notícia: a Ana do café está curada e feliz neste momento.

 

Osvaldo Magro Filho
Coordenador e DENTISTA DO BEM de Araçatuba/SP