Crime do colarinho branco


O comportamento da maioria das pessoas, as atitudes que tomam, a forma como reagem é demasiadamente interessante. Posso dizer que todo mundo age pelo seu próprio interesse, assim, literalmente. É quase que instintivo, primitivo, rápido, acompanhado de algum sentimento, fantasia, doce, mel, essas coisas… O interesse é presente, é fato!

Cada um tem o seu e não acho isso errado! É importante ter interesse, pois ele define quais são nossas atitudes: pelas pessoas, pela matéria, pelo mundo. Mas, é aí que mora o perigo! Desde os tempos primórdios da humanidade toda ação gera uma reação. Uma atitude de alguém ou alguma coisa, seja em ter a iniciativa ou em somente fornecer uma resposta, modifica o meio, os processos, as conquistas. Acontece que a grande maioria das pessoas não é clara em seus interesses para com outras. A maioria se interessa pelo outro da forma que lhe convém, não sendo igualmente honesta, permitindo que o outro alimente também o seu próprio interesse que não é comungado, que não é um interesse comum. Uma fonte de ilusão transbordante.

O jogo de interesses é notório, por exemplo, nas relações de trabalho quando uns ruins permanecem em um cargo porque o patrão “gosta” e uns bons somem porque não se enquadram neste padrão do gostar, neste padrão de interesse. O interesse apenas pelo gostar, neste caso acaba muitas vezes em brigas e intrigas construídas com a finalidade de se obter permanência ou um cargo mais notório e privilegiado. Quando os interesses são mútuos, as relações são honestas, as relações são reais e construtivas.

O ideal seria se todos revelassem seus reais interesses, que todos chegassem na lata e dissessem algo do tipo “olha eu estou tendo essa atitude porque meu interesse é esse, esse e esse, ok?” Maaaaaaaasssssss como não é isso que acontece eu sou a favor do não auto ilusionismo, não auto fantasiar.

Parece uma ideia óbvia, antiga até, mas a boa educação transformou-se num valor poderoso, anticonformista por ser diferente da maioria mal-educada. Seja rigorosamente gentil com todas as pessoas. Não existe coisa mais deselegante do que fazer distinção de tratamento baseado em posição socioeconômica, posição de cargos. Seja educada não por oportunismo, para agradar e ter uma legião de seguidores. Mas por convicção, por interesse pelo outro.

Cleferson Ferreira
Coordenador de Recife/PE