Da mesada ao mensalão

A inversão de hierarquia na relação entre pais e filhos tem sido cada vez mais comum. E assim, este sistema é transferido para a escola. Os professores ficam reféns dos alunos. Uma classe que outrora era muito respeitada, hoje é também alvo do bullying.

O que vemos é que os pais andam esgotados e sem a energia necessária para tomar as rédeas da situação, e muitas vezes se sentem culpados pela ausência, por terem “terceirizado” a educação do filho. A introdução da “rainha do lar” no mercado de trabalho contribuiu de forma decisiva para o agravamento desse quadro. Mas calma. Não acredito que a solução seja o retrocesso. Longe disso. Acredito que a solução seja o amor sem culpa. Mesmo tendo esta convicção, temos os desafios do futuro.

Claro que a educação dos filhos sempre foi uma preocupação para os pais. Mas atualmente as ciladas se apresentam das mais diversas formas e, o que é pior, sem censura.

O medo é que, em pouco tempo, os jovens queiram trocar a mesada pelo mensalão. É algo que vem me afligindo ultimamente. Tenho a convicção que uma conduta correta através do exemplo dentro da família possa refletir de forma inspiradora. Sem dúvida alguma, valores como estudo, honestidade e trabalho têm que ser reforçados sempre.

A preocupação é generalizada. O romancista americano Jonathan Franzen veio ao Brasil participar da Flip e em entrevista fez o seguinte depoimento: “Milito há 22 anos pela preservação do romance. Nesse meio tempo, os jovens passaram por alterações de comportamento. Agora, estão fascinados pela tecnologia, como se ela cumprisse todas as promessas de realização pessoal. A tecnologia não cura a angústia. Não resolve os problemas fundamentais do ser humano. Os jovens são contaminados pela imagem do mundo mostrada pelos comerciais, pelos canais de televisão. Mas essa não combina com o mundo real. Obviamente, existe um bom número de pessoas que não acreditam em tudo o que vêem e buscam resposta para questões mais complicadas. São essas que curtem literatura.”

Mesmo diante do caos, alimentemos a esperança. A tarefa é árdua, mas é gratificante!

 

Jakeline Dantas
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de Pelotas/RS