por Luiz Roberto Scott
(coordenador voluntário de São Paulo/SP)

 

Na viagem a ansiedade e a constatação da mudança ocorrida em todos estes 17 anos. Quanta mudança, quanto avanço e quanta estagnação, esta era a dualidade das observações, fossem elas sobre os lugares, ou sobre as possibilidades das coisas e das pessoas.

Enfim chegaram à cidade e foram logo para o hotel Aguas Virtuosas (antigo nome da cidade de Lambari), desfizeram as malas e logo Arlete ligou para Dr. Alceu, marcaram para as 17horas, o que lhes dava uma hora e meia de descanso. Pouco descansaram, pouco conversaram, apenas aguardavam silenciosa e impacientemente o tempo que agora se arrastava…

O escritório do Dr. Alceu ficava a dois quarteirões do hotel, percurso que fizeram a pé não sem antes D Epifania esbravejar: Mais um pouco chegaríamos ao Cafundó! Nhéco!

Nem muito simples, nem muito luxuoso, era assim o escritório do advogado; após as apresentações formais e sentados à volta da mesa de reuniões do escritório, Dr. Alceu abriu um grande envelope pardo e retirou não mais que uma dúzia de folhas de papel sulfite e começou a leitura formal do testamento. Após vinte minutos de leitura, com termos e expressões irreconhecíveis em alguns momentos, as duas permaneciam imóveis e atônitas.

– Resumindo Sra. Arlete, hoje a senhora pode considerar-se uma mulher rica! Amanhã cedo o Paulino ira acompanhá-las na visita a fazenda São Francisco e demais propriedades e poderão ver com os próprios olhos o que foi aqui descrito. Diga-se de passagem, ele o fará com seu próprio carro Dra. Arlete, quero dizer, que o carro que ira leva-las também é de sua propriedade.

Paulino era o administrador das fazendas S. Francisco e Morada dos Pássaros, esta em Campanha. Apesar de seu aspecto rude era extremamente gentil, honesto e conhecedor de toda a trajetória do tio Eduardo.

Eduardo começou com o sítio S. Francisco, trabalhou muito, plantou café arábica e robusta com qualidade de manejo e alta produtividade conseguindo certificações internacionais, o que lhe garantiu bons contratos de exportação e bons preços de venda. Criou uma marca de café gourmet o TAL ( terras Altas de Lambari ); diversificou plantando cana para a produção de cachaça de qualidade e para exportação; iniciou uma criação de insetos que era vendida diretamente para o Instituto Vale Verde com uma produção de meia tonelada /mês de Tenebrios, Grilo preto e baratas Cinerea, ricas fontes de produção proteica para dieta animal. Conseguiu comprar sítios vizinhos e transformou a agora Fazenda S. Francisco em uma propriedade de 200 alqueires, e mais uma fazenda na vizinha cidade de Campanha com outros 220 alqueires. Enfim as tacadas certas levaram Eduardo ao sucesso, e não por menos diziam que ele era o TAL. Reformara com as mesmas características da época a antiga casa de D.Epifania e construíra anexo um complexo prestes a ser inaugurado de um pequeno, porem de altíssima qualidade, hotel fazenda.

Arlete e D. Epifania estavam simplesmente inebriadas com o que viam. Ao chegarem próximo à casa que moraram, puderam ver uma pequena capela com as imagens de S.Francisco e uma placa com uma frase sua: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”, sem conter as lágrimas as duas ajoelharam-se e rezaram por minutos e D. Epifania finaliza… E perdoa-me Eduardo, por toda a descrença em sua capacidade, meus exageros etc. e Tal! Nhéco!

De volta a S. Paulo, com mudanças prontas e destinos traçados, Arlete convidara as amigas do ex- emprego para um jantar de despedida no apartamento.D. Epifania esmerou-se e em meio às conversas e atualizações dos novos planos para as amigas, após um jantar impecável, serviu a esperada sobremesa, o famoso pudim de claras em neve com damasco.
Nossa que coisa maravilhosa! Que consistência perfeita! Que textura! Uma delicia! Na medida certa para satisfazer o mais exigentes dos gostos!

Entre tantos elogios e murmúrios D. Epifania foi logo se desculpando:

– Desculpem meninas não achei a batedeira em meio às coisas da mudança, dai tive que improvisar, por sorte achei este mixxer nas coisas da Arlete e mostrou o Dispositivo Bullet .

Como que ensaiadas, todas gritaram em meio a muitas gargalhadas:

– Nhhhéééééééééccccccccooooooooooooooooooooo !!!!!!!