por Walter da Silva Jr.
(coordenador voluntário de Bauru/SP)

 
O projeto Apolônias do Bem, da TdB, tocou num problema chocante de nossa sociedade. Esse lindo trabalho, devolve a autoestima e reintegra a vítima no convívio social.

A mim, parecia ser um problema distante, fora de minha realidade. Até duvidei das altas estatísticas. Pensei: será que são mesmo tantas mulheres agredidas?

E, dentro de minha clínica encontramos mais uma dessas vítimas. Uma de nossas auxiliares passou por essa terrível experiência. Teve que sair do emprego e está se preparando para mudar de cidade. E sabem qual a região mais afetada? O rosto, os dentes, a ATM. Foram socos e pauladas até que ela perdeu o sentido. Notei que, apesar da violência sofrida, a vítima ainda relativiza algumas atitudes do agressor. Ela me disse que no dia seguinte da agressão, quando acordou (ficou inconsciente por 12 horas), ele disse “chorando” o que ela achava da radiografia que fora tirada no pronto-socorro na noite da surra…

O que faz um “ser humano” agir dessa forma? Que sentimento é esse de posse que o leva a cometer esses absurdos?

E a impunidade? Boletim de ocorrência, exame de corpo delito, etc e o agressor continua solto…E o medo? A quem recorrer?