E o nome dela é Rosaly

E o nome dela é Rosaly…eu vou falar pra vocês, é a coisa mais preciosa que Deus pode conceder…

Ela prefere ser chamada de Rose… há dois anos e meio ela gerencia todos os trabalhos domésticos de casa… e é delicioso chegar em casa depois de um dia de trabalho e tudo estar no devido lugar… casinha limpa, roupa passada, comidinha caseira a espera na mesa (e que comidinha! nenhum arroz, feijão e bife acebolado é tão bom quanto o dela)… o Waltinho costuma dizer que Rose é o “Pilar da família”, sem ela a casa cai.

Às vezes, fico pensando se existe alguém que conhece mais a intimidade de uma família do que a ajudante do lar… do seu cantinho ela escuta tudo e todos… as brigas, gargalhadas, se o casal está bem ou não… só ela sabe se seu filho ficou pendurado a tarde inteira no telefone enquanto você ralava. Digo que a Rose conhece todas as minhas roupas íntimas (ela sim sabe das minhas preferências)…

Eu a contratei porquê a pessoa que a indicou me disse que ela era competente, mas tinha um defeitinho: não era de muita prosa, discreta.. .eu logo pensei: é essa mesma que eu quero, chega de criar intimidade com todas as funcionárias que passam pela sua vida, Magali… e assim eu a contratei. Porém mera ilusão… intimidade instalada e continuo na mesma, tipo que empresta roupa para ser madrinha de casamento… inevitável.

Preciso contar a rotina da Rose: mora em Avaí, uns 40 kms de Bauru. Para pegar o ônibus da prefeitura (que é mais barato) ela acorda todos os dias às 4 da manhã… tem 3 filhos e nenhum pai para ajudar nas despesas e ainda olha por sua mãe. Ela rala muito…

Sei que pago o que posso, mas tenho consciência de que é pouco para todas as suas necessidades. Como pode minha Rose tratar dos dentes, mandar fazer seu óculos (ela enxerga mal de perto) e outras tantas necessidades? Minha cabeça “pira”, fico triste por vê-la sem condições de uma vida melhor… Me sinto na obrigação de socorrê-la, porque ela é a nossa Rose, ela é o “pilar da família”, ela merece por tudo o que faz por nós e ela é mais uma entre tantos brasileiros que lutam para sobreviver.

Magali Arantes
Coordenadora de Bauru/SP