por José Henrique Sironi
(coordenador voluntário de Laranjeiras do Sul/PR)

 

Não, o texto não é sobre o seriado de TV. Na ocasião em que decidi usar este título, estava lendo um e-mail do Emanuel no qual nos apressava para a entrega desta coluna. Tal qual a maioria dos Dentistas do Bem, li a mensagem pelo celular enquanto executava 1000 tarefas ao mesmo tempo, dentre elas, a de marido.

Atolado em tantos afazeres, acabei sentindo um “ciuminho” por parte da minha esposa quando falava da TdB. Daí o título…

A boca fala do que o coração está cheio, já dizia Jesus, muito tempo atrás. Baseados neste versículo de Mateus, hoje podemos facilmente perceber qual a paixão de uma pessoa através de suas conversas.

Sim, sou apaixonado pela Turma do Bem. Gosto de estar nesta correria; fazer parte; cadastrar dentistas; arrumar briga pelas crianças e falar, em todo momento sobre o programa Dentista do Bem…

Porém, confesso, essas crianças estão me causando certo problema, lá em casa.

O fato de alguns loucos se importarem com aquilo que ninguém quer dar à mínima, nos toma um tempo precioso.

Mas é justificável. Cada um de nós, que assumimos a condição de voluntários, temos instintivamente uma tendência à doação. Não fosse assim, qual o motivo para passarmos 4 ou 5 dias discutindo o bem de outros sem receber salário, pelo contrário, muitas vezes pagando para estar lá. Deixando de lado o eu (no caso, o “ela”, minha esposa).

As primeiras palavras que minha amada proferiu, ainda na rodoviária de Laranjeiras do Sul, na ocasião da nossa última reunião em SP, foram: “Esta foi a última viagem deste ano, Sr. José Henrique…” (… imagina quando contar que tem capacitação em outubro?).

Mas tenho certeza que a causa de toda essa briga tem um valor muito maior…

Uma vez ouvi algo, de um homem muito sábio, que fez todo sentido. Ele perguntava:

“-De cabeça… sem pesquisar, qual era o nome do seu tetravô por parte de pai?”

Tenho certeza que a maioria não faz sequer ideia… eu, ao menos, não lembro.

Logo em seguida explicou: Este pequeno teste só prova que passada duas ou três gerações, o nosso nome será esquecido, porém, aquilo que fizermos pelo próximo, isso permanecerá.

Seguindo esta lógica, talvez existam entre nossos pacientes, alguns que não saibam o nosso nome (faça o teste). Agora, se daqui a 50 anos, alguém perguntar para qualquer um dos beneficiários se lembram de algo de bom que foi feito por suas vidas, mesmo não lembrando de nossos nomes, certamente estaremos na lista destes então, senhores e senhoras.

Diante dessa pequena reflexão, acabo me convencendo que este pouco tempo dedicado para pensar, discutir e planejar estratégias, colocar a mão na massa e pagar o preço, não é nada, comparado à oportunidade que abrimos para o beneficiário.

Por fim, para ajudar estas crianças arrumei uma briga séria com a patroa, mas entendo: não é fácil pra ela dividir este meu corpinho roliço…