Eu acredito…

Estes dias, conheci uma pessoa, uma garotinha para ser mais exato, que mexeu comigo, me fez pensar na vida e me encheu de interrogações, reflexões…

Não importa se eu posso escrever sobre a Velha e o Gigolô, A Ladra e o Agiota, A Herdeira e o Desertor, A Procuradora e o Playboy. O resumo da ópera seria o mesmo: protagonistas caracterizados pelo mesmo sentimento de vazio. O vazio pode ser devastador, pode causar sequelas, o não amor ou a falta de amor deixa cicatrizes pelo resto da vida. E o que isso tem haver com a garotinha que conheci?

Com apenas 13 anos de idade, a vida dessa jovem já lhe deu uns bons pontapés. Apesar de ser parcialmente desdentada (perdeu os incisivos centrais e laterais superiores e alguns molares) é possuidora de sorriso frouxo. Aos dez anos de idade, essa garotinha, que vou chamar de Maria, era obrigada, pela mãe, a se prostituir e usar drogas para que conseguisse ir pra cama com o maior número de homens possíveis. Maria passou dois anos nessa vida miserável. Teve que ser internada para se livrar das drogas. Hoje, Maria mora num orfanato e sua mãe, se encontra presa. Maria possui sonhos e disse a ela pra nunca deixar de sonhá-los.

A vida de Maria é emocionalmente pesada, e traz à tona inúmeras questões a serem discutidas do ponto de vista do relacionamento entre pais e filhos, da repercussão da dificuldade de comunicação de afetos entre mãe e filho, dos possíveis problemas psicológicos que os filhos herdarão. Foi o vazio existente na mãe de Maria, que fez com que uma criança perdesse sua juventude, sua pureza, sua vida.

Reza a lenda que, tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado. Eu acredito.

Cleferson Ferreira
Coordenador de Recife/PE