por José Henrique Sironi
(coordenador voluntário de Laranjeiras do Sul/PR)

 

É impressionante como gostamos de reclamar das coisas antes mesmo de analisarmos com atenção a situação. Muitas vezes já temos uma opinião formada e simplesmente rejeitamos uma ideia diferente. Pronto… (sem saber na verdade o que rejeitamos)

Quantas vezes sua boa proposta foi morta no ninho?

Você chega todo empolgado com uma super ideia, um projeto pronto, bastando apenas uma aprovação e a resposta, com voz arrastada, é: Não…não vai dar… mas deixe aí pra eu dar uma olhada depois.

Tenho certeza que muitos de nós passamos por esta experiência quando fomos propor o Kit de Saúde Bucal para nossos gestores e governantes. Sequer deram uma atenção mínima à proposta… apenas rejeitaram, sem entender a dinâmica .

Mas, pasmem, o motivo real da falta de interesse na implantação do Kit, na maioria das vezes, não é o custo do programa em si, mas sim o fato de não terem a noção de qual será este custo.

Enquanto eu não apresentei um preço estimado do tal kit, minha prefeitura não demonstrou interesse, mas bastou eu me ligar nesse detalhe e chegar com um número que tudo magicamente mudou.

Amigo coordenador, a proposta do kit é extremamente coerente com a visão da Estratégia Saúde da Família. Prevenção é a palavra chave da saúde pública, portanto facilite as coisas para seus gestores:

1- Apresente o valor de um kit de saúde bucal.

Na última licitação que participei ficou:

Escova dental…………………R$ 0,35
Fio dental de 50m …………..R$ 0,90
Creme dental com flúor……R$ 1,90

2- Faça um levantamento junto a Secretaria de Ação Social de sua cidade (ou qual seja o nome da secretaria) e pergunte quantas famílias recebem o Bolsa Família. Isso vai dar pra você uma ideia de quantos kits deverão ser distribuídos;

3- Explique para o gestor que não serão todas as famílias que realmente necessitam ser beneficiadas pelo programa. Os próprios Agentes Comunitários de Saúde podem indicar quais famílias necessitam, em um primeiro momento;

4- Deixe claro que pode existir um controle de entrega e que uma escova boa, bem como um rolo de fio dental,tem uma durabilidade razoável;

5- Se for entregue na farmácia básica, os itens podem ser separados e distribuídos conforme a procura ou através de solicitação;

6- Enfim, entregue tudo mastigado e repito: dê ênfase ao custo estimado.

Se este sistema não funcionar, não desanime… corra atrás de um vereador que tope entrar com um projeto de lei o qual obriga o Poder Executivo a disponibilizar este Kit. (se você conseguiu a assinatura do prefeito, ainda quando este era candidato, naquele termo de compromisso público, acredito que se torne ainda mais fácil, pois tenho certeza que a TdB saberá cobrar a aprovação, mesmo que forçada, da implantação do Kit.)