Homenagem: cartas redigidas à mão e Ana Claudia Teodoro

Cps, 10/06/89

Maga…

Ai então pensei…Não vou deixar escapar o encontro, as notícias, a fofoca…nada, então.

Campinas já é vinho (tinto) e as folhinhas, coitadinhas, esparramadas no chão e de manhã quase nove horas, é hora de levantar, amalgamar, travar os cones, raspar e luxar…E aí a tarde cai, logo verei o bem e vêm os beijos…

Fim de semana que é bom, porque o único compromisso é não ter nenhum compromisso…E a Magali vem logo me ver, né?

Que saudade dela.

Sempre falo, sempre lembro, sempre rio, sempre vivo a Magali…

E o amor? Menina, sempre esfolado (que era) esse coração aqui nunca bateu sozinho. Não deixe o seu desacompanhado.

O que vivo agora pensei não ser possível…Hoje é só viver para crer e tem sido um T..~.

Posso esperar por você?

Ai menina bonita, parece tão distante todo esse tempo que passou e tão próximo tudo o que juntos já se viveu que não sei às vezes se é passado, fotografia, ou um presente latente que descansa na minha cabeça…

Eu sei o que já não sou, mas sei que ainda sou o que sempre fiz.

Guardo no peito uma risada escandalosa, um hálito de ressaca antiga, uma esperança de não apagar dos olhos o brilho do que vivi.

Guardo um beijo e um forte abraço para quando você chegar.

Claudeca

*Obs: esta é uma homenagem às cartas redigidas à mão quase que em extinção. Eu e a Claudia somos amigas desde a faculdade, parceiras na arte de fazer arte, beber e gargalhar. Nos correspondemos durante um tempo pós faculdade,
passamos pelo menos uns 24 anos sem nos vermos… hoje nos encontramos anualmente no Sorriso do Bem…continuamos com afinidades.

 

Magali Arantes
Coordenadora de Bauru/SP