por Marília Martins
(coordenadora voluntária de Guarulhos/SP)

 

Em uma frase: É SURTANTE!!!!

Passei 3 dias dentro do escritório da TdB e posso dizer com toda propriedade… OS CARAS SÃO MAIS LOUCOS DO QUE SUPÕE NOSSA VÃ FILOSOFIA!

Começando, um dia nunca é igual ao outro. O pessoal fica divido em 3 ambientes. No “porão” ficam aqueles que não possuem sangue nobre, os segregados. É a concentração de todas as “cotas” da TdB: os latinos, o religioso do nordeste, as imigrantes ilegais, oriundas do sul do país, a anã, o Guarulhense, tem até uma nipônica. De um lado o Call Center e do outro a “pobraiada”. No andar de cima, mais conhecida como “Torre”, ficam os “Nobres”, aqueles que possuem sangue azul. O Superintendente, seus assistentes (coitados!!!) e a galera da comunicação congelam por aí. Uma miscigenação louca de culturas.

A campainha não para (carteiro, entregador de mercadorias, o moço que arruma os computadores, motoboys, o Sr. Alguma Coisa que veio receber algum dinheiro). Todos muito bem recebidos pela Regiane – ninguém entra ali se não é por intermédio dela… É a Regi  também quem atende quase todos os telefonemas, coitada!!!

O telefone merecia um post só para ele; dá agonia, não para. Dentistas do bem e do mal, jovens do projeto, propagandas, gente pedindo tratamento… estava ao lado do Hilário quando um Senhor ligou pedindo tratamento gratuito; foi instruído a procurar umas das várias faculdades que existem aqui em São Paulo. Pedidos como esse realmente são rotineiros. Ligações… o Hilário tinha mais de 1.500 (sim, MIL E QUINHENTAS LIGAÇÕES) para fazer só para os Estudantes do Bem.

Casos revoltantes tornam-se engraçados em segundos. Uma estudante que só se inscreveu para “ganhar o brinde” da mantenedora (sim, isso também existe) quase morreu ao escutar que ela tinha A-C-A-B-A-D-O de perder um par de ingressos para o Rock in Rio. O Hilário sabe ser MUITO ruim quando quer…. hahahahha!!!

Marina Eid passa o dia inteirinho envolvida com as Apolônias; liga para saber se elas foram nas consultas, quais procedimentos o dentista fez e quando é a próxima consulta. Umas ficam um tempão falando, uma carência bem nítida, e outras pouco falam.

A Mari voa para todos os cantos… IBO, torre, call center, fumódromo… é, sem dúvida, a mais brava de todos eles. E é também a que mais se preocupa com os “coordenadores problema”, com o que dizem de certo e errado, de bom e de ruim sobre a Turma do Bem.

Jesus, fica o dia inteeeeeiro falando com os latinos; pais, mães, jovens, escolas, dentistas… e quando a Samy vinha trocar uma ideia com ele, tínhamos a nítida impressão que era uma discussão, eles gritam – e em espanhol (muy bonito y cariñoso).

Samy, por sinal, estava de partida, era a última semana dela. Foi morar no Canadá, mas a tristeza de todos era tão grande que ninguém tocava no assunto. E quando tocavam, os olhos ficavam mais úmidos.

De vez em quando um sangue azul aparecia por lá… para comer, se aquecer (estávamos em uma semana gelada aqui em SP… e o Padre Hilário carregou um aquecedor para a OnG) ou pedir nota do look do dia, né Ricky?! Vez em quando o Fábio desce, sempre gritando, xingando ou zoando alguém… jeitinho “Bibancos” de ser.

17:00… lanche!!! Come-se muito naquele lugar. Mariana e Marina são as fornecedoras TOP de guloseimas. Nas sacolas delas (aquela jeans da TdB) tem de tudo um pouco: bolacha salgada, chocolate, chá, bolossssss de caneca, leite em pó, colheres descartáveis. Tudo é fartamente compartilhado. E a galera surta quando acaba. Ou seja, quem quiser visitar o escritório em um “dia normal” leve um agrado para comer… será super bem vindo!!!

O dia acaba ás 21 horas… na teoria! Na prática, terça-feira, terminou às 2 da manhã, com um jantar na casa do Fábio. E para quem acha que nesses jantares rola festa e descontração, engana-se!!! Os jantares na casa do Chefe são para resolver os assuntos delicados; as pautas mais difíceis da OnG – entre coca-cola, cigarros e pimenta. Uma dica para quem tem problemas gástricos: NUNCA aceitem o convite para jantar a comida que o Fábio faz. Quem já comeu o macarrão do Chefe, sabe exatamente como se sente um dragão…!

Às vezes a discussão fica tensa… eles discutem igual gente grande e 5 minutos depois continuam se amando e se respeitando. Tudo é tabulado, pautado, escrito. Não há uma decisão única sobre os assuntos delicados; todos opinam, todos votam e assim, o consenso é estabelecido. Uma perfeita democracia.

E foi assim, vivendo por 3 dias a rotina deles, que tirei as melhores lições da TdB. A equipe nunca esteve tão coesa, tão engajada. E eles sim, são apaixonados por todos os sorrisos, todos os jovens, todas as histórias. E é nesse “encantamento” pela galera da TdB que me pego na seguinte reflexão: “ainda tem coordenador que fala mal dessa galera. Coordenador que destrata, que traz problemas pessoais, que confunde as bolas achando que a equipe é “obrigada” a resolver problemas (picuinhas) entre coordenadores… coordenador que se sente injustiçado quando tudo é baseado em resultados puramente matemáticos… gente que só sabe pensar no EU, enquanto todos eles SÓ pensam no coletivo!!!”

Teria muito mais o que escrever… esses 3 dias foram tão ou mais enriquecedores do que todos os SdB que fiz. Então, se eu puder dar um conselho, façam o mesmo. Quando estiverem por São Paulo, passem uma tarde lá na OnG…. tenho plena certeza que vocês sairão de lá revigorados e muito mais apaixonados por toda essa louca família que é a Turma do Bem.

Aos funcionários da TdB… tão (ou mais) loucos, engajados e apaixonados… o meu mais sincero orgulho, respeito e agradecimento!!!!