O retorno é inevitável…

Transcrevo aqui um texto do jornalista Álvaro Oppermann que foi publicado recentemente na revista Época Negócios. Achei muito interessante e recomendo a leitura:

“O Professor Adam Grant, da escola de negócios Wharton, nos Estados Unidos, divide a humanidade em três categorias, no que se refere às relações com outras pessoas: os altruístas, os egoístas e os equilibrados. Diria o bom senso que este último, tipo realista, estaria mais predisposto ao sucesso. O altruísta pecaria pelo idealismo e o egoísta acabaria pagando em algum momento por seu egoísmo. Mas ao analisar os dados de uma extensa pesquisa de carreiras, descobriu que o altruísta – aquele que faz o bem sem olhar a quem – se dá melhor na vida. E do outro lado do espectro? Quem se dá pior? Surpresa: também são pessoas do tipo altruísta. “Este tipo humano está altamente representado nas duas pontas da nossa métrica: no extremo sucesso e no extremo fracasso”, diz Grant.

A conclusão de Grant, exposta no livro Give and Take: A revolutionary approach to Sucess ( algo como “Toma lá,dá cá- Uma abordagem revolucionária do sucesso), é que existe um jeito certo e um jeito errado de ser altruísta.

O altruísta fadado ao fracasso, segundo Grant, é aquele cuja conduta muitas vezes apenas camufla uma excessiva vaidade. Doar, para eles, é uma forma benigna de arrogância: ajuda os outros porque isso faz sentir-se magnânimo, poderoso. É comum que essas pessoas acabem sendo manipuladas pelos egoístas, diz o autor. O altruísta bem-sucedido é aquele que atrai não o egoísta, mas o equilibrado, o terceiro tipo humano de Grant. “Eu vejo que o pessoal de vendas mais produtivo é o que coloca os interesses do consumidor em primeiro lugar “, diz. Os equilibrados anseiam por equanimidade nas trocas. Eles punem os egoístas, mas premiam os altruístas.

No livro, Grant narra o caso de um consultor financeiro que, durante uma seleção de emprego, escolheu seu candidato mas passou o resto da tarde em telefonemas, tentando encontrar colocação para os outros bons profissionais entrevistados. Certa vez, este consultor recebeu o telefonema de um sujeito que se identificou como sucateiro. “É perder tempo com arraia miúda”,riu-se um dos sócios. Ele no entanto, marcou a reunião, porque “talvez pudesse ajudá-lo”. Ocorre que o sujeito era o maior reciclador de metal dos EUA, e virou seu cliente. Pensar nos outros, diz Grant,costuma ser um bom caminho para alavancar a carreira e os negócios.”

 

Jakeline Dantas
Coordenadora de Pelotas/RS