O Sorriso de Juliana

 

Hoje começou o estágio do curso de ASB do ASSISTENTE DO BEM. Dos meus 16 adolescentes, restaram 12. Nenhum momento foi fácil. As aulas pela internet eram um tormento. Nosso estado está excluído do resto do país e do mundo pela dificuldade que temos com a internet. Usamos o laboratório de informática de um parceiro que tem internet a rádio com uma velocidade um pouco maior, mas, mesmo assim, dependendo do que acontecia com o tempo não conseguíamos desenvolver a aula… Enfim resistimos como nossa terra resiste às chuvas torrenciais dessa época e à raiveza do rio Amazonas.

Tenho 4 “crianças” no meu consultório: 2 irmãos – Juliana e Jardel, Lana e Nayara, cada um com estórias e de  lugares diferentes. Mas hoje vou falar da Ju.

Ela tem a pele de “jambo” (“moreno queimado”) e os olhos verdes mais lindos e alegres que já vi. Ela é muda e surda e hoje, quando cheguei, ela estava lá, de gorro, jaleco: um brinco! E sorrindo…

Fico envergonhada de não saber falar direito com ela. Sinto-me ignorante, burra mesmo. Como podemos saber línguas de países tão distantes e não sabermos e nem aprendermos na escola a falar Libras!? Ou ler em Braile?! Eles fazem parte de nosso dia a dia. Fingimos que somos um país de inclusão, mas excluímos crianças e adultos que vivem do nosso lado!

Defendo nessa coluna que influenciemos nossos políticos a incluir nos programas escolares o BRAILE e a LIBRAS como matérias obrigatórias! Defendo também que meu estado tenha o direito de ter internet banda larga. Estamos cansados de ver as bolinhas girando!

E fora à EXCLUSÃO de uma vez por todas!

 

Daiz Nunes
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de Macapá/AP