Pátria amada, Brasil!

O caos da escola pública é velho conhecido da sociedade. O agravamento da situação tem sido percebido por alunos, pais e sociedade… e justamente em um momento em que o país vive um “up” no seu desenvolvimento social e econômico.

Isto representa uma propaganda extremamente negativa para a carreira docente. Cada vez menos pessoas se interessam em fazer um curso de licenciatura. Isso, somado ao fato de que a maioria dos professores que hoje leciona está na contagem regressiva para a aposentadoria, cria um clima de legítima pressão salarial.

Trocando em miúdos: o salário tem que subir para forçar o interesse na carreira e assim equilibrar a relação. Senão, o resultado é uma crise por falta de professores.

E daí?

Neste exato momento, estamos ouvindo aqui na UFPE, comentários sobre a chegada de uma greve. Nada foi comprovado ainda, mas, já houve paralisação, professores militando sobre o assunto… e o motivo?  Defasagem salarial.

É triste ouvir falar em greve. Há cidadãos que gritam alto pelo direito de protestar, de fazer greve. Alegam que a greve é um instrumento legítimo para verem os direitos respeitados. Todavia, o que não levam em conta é o direito das outras pessoas.

A greve será um instrumento legítimo sempre que, com esse ato, não seja desrespeitado o direito dos outros. Se desrespeitar, por mais justa que seja a discussão, a greve não será legítima. Poderá ser legal, mas não será honesta. Não podemos desejar, como pessoas lúcidas, que o nosso direito afronte o direito do nosso semelhante.

Discutir com o patrão um salário mais justo, por exemplo, é um direito que temos. E é um dever do patrão pagar-nos o que nos seja devido. Entretanto, a comunidade à qual servimos não pode pagar o preço da nossa contenda. Se o médico deixa de atender os doentes, não é o patrão que ele está afrontando, mas sim a comunidade. Se o professor deixa centenas de pessoas analfabetas, está faltando com o sentimento de fraternidade e com o dever assumido perante a própria consciência.

Não sabemos se de fato a greve irá ocorrer. Se ocorrer, não sabemos quanto tempo vai durar. Não pretendemos entrar em férias forçadas, nem tampouco atrasar nosso curso, o que nos resta é rezar.

Cleferson Ferreira
ESTUDANTE DO BEM de Olinda/PE