Que força é essa?

Esses dias me peguei em pensamentos contraditórios: como alguém que está precisando de ajuda, consegue ajudar um outro alguém? Como alguém que está passando por um momento difícil, consegue se preocupar com o próximo? Que força é essa?

Pensamentos que surgiram ao observar uma amiga e parceira do projeto Dentista do Bem em Piúma, que nos últimos tempos tem se dedicado em tratar de um problema sério de saúde de seu filho. E mesmo enfrentando um verdadeiro drama, fica enormemente preocupada com o projeto, em saber quantas crianças foram selecionadas na triagem, se vai ter fila de espera, enfim, em fazer todo o suporte necessário para que todos os adolescentes selecionados consigam chegar à cadeira do dentista.

Pessoas de bem buscam o bem do outro naturalmente, independente de sua condição ou de sua maior necessidade, comparado aos demais.

Há um grande homem que costuma dizer, “o sofrimento é meu, mas a minha cara é do outro”. Ou seja, não importa se por dentro eu estou em cacos. O outro que me vê, seja profissional ou pessoalmente, precisa enxergar em mim alguém em quem ele pode se apoiar, com quem ele possa contar. Isso é fazer o bem, exercitar o amor, cuidar.

Embora, não seja tarefa fácil, somos chamados a tal, como a parceira cuja atitude é narrada no início deste texto, esquecer nossos males pessoais e cuidar dos males daqueles que pudermos cuidar. Tudo isso é muito menos teórico e mais prático! Amor não é sentimento. Amor é exercício!

Mesmo nos momentos em que nos sentimos desanimados, cansados, exauridos pelo cotidiano, muitas vezes implacável, podemos ser agentes da bonança alheia.

Bondade não é algo que se pratique apenas quando está tudo bem, em paz. Ao contrário, nos momentos de dificuldade, tendemos – e isso é algo de difícil compreensão aos que não têm fé – a ter mais força e, consequentemente, conseguir mais frutos do nosso empenho em ser melhor para o outro.

Se esperássemos para ser bons apenas quando tudo estivesse bom pra nós, nada nunca seria feito, a Turma do bem não existiria, tampouco os seus frutos. Frutos que nada mais são que muitas pessoas com seus sofrimentos minorados e vidas restauradas através do direito de poder sorrir.

Não é exagero pensar que essas pessoas passarão essa bondade a frente com aquilo que puderem, da forma que conseguirem e dentro da sua realidade. E, quando quiserem esmorecer, lembrar-se-ão do exemplo daqueles que um dia lhe fizeram bondades sem demonstrar peso ou uma cara sofrida e continuarão; transformando a Turma do bem em uma turma realmente grande contendo todo o tipo de benfeitor, não apenas dentistas, mas uma rede de benfeitores que, cada qual a sua maneira, trabalharão devolvendo alegria àqueles que, seja por problemas dentários ou não, não podem mais sorrir.

 

Marlon Mezadri Layber
Coordenador de Piúma/ES