por Nícia Paranhos Arruda
(coordenadora voluntária de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê/SP)

 

Peço licença para os leitores dessa coluna do ano passado, para “repetir” meu artigo do mês de maio/2012, onde escrevi sobre minha mãe. É que, como sei que neste ano aumentou o número de leitores, com muita gente nova na nossa turma (TdB), gostaria que todos ficassem conhecendo um pouco sobre ela também… e aproveitando que estamos no mês das MÃES…

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Homenagem

Não sinto inveja de ninguém (eita sentimento “pequeno”). Pelo contrário, vibro muito quando tenho notícias de que alguém se deu bem, ganhou alguma coisa, trocou o carro, comprou uma casa, fez uma viajem etc. Mas tenho que confessar que morro de inveja da minha costureira.

Imaginem vocês que ela está disponível apenas até as 16h00 porque todas as tardes ela toma café com a MÃE. Tem coisa melhor que poder trocar idéias com a mãe todos os dias? (Sempre me pego, tomando “emprestado” a mãe de alguém, rsrsrsr…)

Minha mãe foi uma mulher batalhadora, se casou aos 33 anos, nos idos anos de 1954, onde já era considerada ” solteirona”. E sabe por quê? Não tinha tido tempo pra namorar, pois trabalhava fora, não era “dona de casa”. Fato este inédito, pois somente uma minoria de mulheres naquela época se arriscavam trabalhar fora de casa, principalmente numa cidade pequena do interior, diferente dos dias de hoje.

Então tenho o maior orgulho em dizer que minha mãe foi “pioneira” e que sempre esteve à frente do seu tempo. Ah! Esqueci de dizer que trabalhava fora numa profissão masculina, como Cartorária, e sem ter concluído o primeiro grau de escolaridade. “AUTODIDATA” foi a melhor definição que ouvi da minha mãe, dita por um primo meu mais velho, e que me encheu de orgulho…

Continuando… Com apenas 15 anos de casada e com duas filhas (14 e 12 anos) ficou viúva e com a missão de concluir a educação e formação das filhas, pois em casa os papéis eram invertidos. Meu pai que ficava em casa com as obrigações domésticas e minha mãe trabalhava fora (em agosto, no mês dos pais, eu conto sobre meu pai, capítulo à parte ).

Nós, as filhas, fomos então submetidas a um regime quase militar. Pra ela era imprescindível que fôssemos exemplos, pois tinha que provar que “conseguiria” ainda que sem a ajuda da figura masculina. Nunca se permitiu um segundo casamento. Nada que algumas “armações” não aliviassem um pouco esse regime, rs.

Consideramos que cumpriu muito bem seu “intento”. Com muita luta, formou suas filhas – minha irmã é médica -, nos passando valores e condutas de vida inquestionáveis.

Quando já desconectada da vida (minha mãe sofreu de Mal de Alzheimer), minha maior aflição era de que tudo que ela mais lutara na vida (que foi para nos dar um estudo), foi justamente o que nos impediu de cuidar dela o tempo todo. Com nossas profissões não tínhamos total disponibilidade. Então a solução foi contar com enfermeiras, 03 na verdade, que no final foram suas filhas, pois a referência mais próxima eram elas. Nós, as filhas éramos as “estranhas” – muito triste isso!

Conto tudo aqui, para fazer uma homenagem à minha mãe e deixar meu recado: Tirem o maior proveito da companhia e da convivência da MÃE , aproveitem o dia das mães para se redimirem de “pendências”, coloquem em dia seu amor por elas…

Mamãe, a senhora me deixou exemplos, valores e condutas que até hoje me norteiam. Tento te imitar nessa difícil missão de “criar e educar filhos”. Agradeço e reconheço o privilegio de ser tua filha!