Sala dos espelhos

O ser humano, de maneira geral, encontra-se atônito com tudo que está ocorrendo à sua volta. Ao mesmo tempo em que contempla grandes avanços tecnológicos proporcionados por mentes brilhantes, ele vê muitos dos seus semelhantes parecerem regredidos, em decorrência de comportamentos baseados num “primitivismo selvagem”.

O homem está em evolução, devendo desenvolver as características do amor. E é urgente que cuidemos das nossas relações interpessoais. Mas para cuidar destas relações é preciso refletir e questionar alguns pontos ainda cegos para cada um de nós. Por exemplo, onde está o grande amor?

Impressionante como a maioria das pessoas (e me incluo entre elas) procura esse amor, em alguma pessoa especial, em algum lugar. Mas aquilo que procuramos fora é uma necessidade interna de autoencontro.

O grande amor está dentro do nosso universo interior. Nós olhamos sempre para fora. Jogamos no outro aquilo que nos pertence. Paremos um pouco e observemos… Aquilo que mais nos incomoda no outro é aquilo que mais nos impede de fazer contato conosco mesmos. Aquilo que mais nos causa repúdio em um grupo é o que mais está presente em nós.

Nas relações interpessoais, se uma coisa bate e dói, independente do que seja, precisamos olhar para nós mesmos, porque isso está presente em nós e muitas vezes é um ponto cego de que não temos consciência (fofocas, críticas, inveja, ciúme, estrelismo, egoísmo, orgulho…).

Por isso estamos falando da sala dos espelhos, porque o outro é nosso espelho fiel, nos vemos nele a todo momento. Quando a gente joga pedra em alguém, sempre estamos atirando num espelho que nos reflete. Lembremos que nós somos exatamente como o outro, na mesma proporção que somos conosco mesmos.

Em um grupo podemos dizer que nos encontramos na sala dos espelhos onde cada membro é um espelho mais ou menos translúcido e límpido que nos revela a nossa própria imagem – lembrando que encontramos sempre aqueles com quem temos menos afinidade, nossos espelhos fidelíssimos, que nos mostram e nos revelam com tanta clareza o que somos; e são com eles que temos mais oportunidades de aprender e desatar assim os nós existentes.

Já é hora de nos respeitarmos e nos conhecermos para nos tornamos mais maduros, sensatos e responsáveis, valorizando sempre aqueles que caminham conosco, sem egocentrismos.

 

 

Adriana Papel Dib
Coordenadora e DENTISTA DO BEM de São Luís de Montes Belos/GO