por Luiz Gustavo Oliveira
(coordenador voluntário de Teresina/PI)

 

Eu sou um procrastinador. Eu sempre fui. Esse texto é uma prova disso. Foi escrito nas últimas horas do prazo que me deram para escrevê-lo. É uma falha de caráter, e eu admito. Já pesquisei muito sobre o tema. Alguns pesquisadores o tratam com um hábito adquirido, outros como doença psíquica.

Descobri que mais de 50% dos brasileiros, nos quais me incluo, deixam as coisas necessárias pra última hora.

O fato de procrastinarmos não significa que sejamos preguiçosos ou ineficientes. Muitas vezes, é uma condição de nos acharmos tão capazes de dar conta das tarefas que simplesmente, vamos empurrando-as pra frente até onde dá. Será mesmo?

Também já percebi que os perfeccionistas são os maiores procrastinadores da paróquia. Com a desculpa de que “ainda não está bom”, adiam o desfecho das tarefas pra quando estiver divinamente perfeito. Pura enganação.

Quem procrastina está mesmo é sempre se boicotando. E à medida que vai enrolando o tempo, se enrola nas armadilhas que este mau hábito pode trazer.

Imagine a situação real.

Ligo para o Jhonatas e pergunto-lhe, já sabendo a resposta:

– Jhonatas, o texto que você me encomendou é pra hoje, né?

Lógico que é para hoje. Eu sei disso. Mas a esperança é que ele diga:

– É para hoje. Mas se você quiser, pode deixar pra amanhã.

Mas não é o que acontece. Sendo bem gentil, ele diz:

– Sim é pra hoje. Dia 29. Mas relaxe. Você tem o dia todo.

Um dia todo? Para um procrastinador não é muita coisa. Um mês, seria a resposta ideal.

Pra saber se eu era o “ultimo dos moicanos”, pergunto-lhe:

– Jhon, ainda falta alguém ou sou o único retardado? Digo, retardatário!

Ao que ele sutilmente, responde:

– Nada! Muitos ainda não entregaram.

Que ótimo, penso eu. A frase soou como uma espécie de consolo. As pesquisas parecem mesmo estarem certas.

Tentando explicar por que isso acontece, também descobri que quem procrastina costuma realizar muitas coisas ao mesmo tempo. Ler muito livros ao mesmo tempo, por exemplo. Também tenho esse hábito. Geralmente, estou lendo sete ou oito livros ao mesmo tempo. Os menos interessantes vão ficando pelo caminho em detrimento daqueles que se tornam mais interessantes. Vejam como isso é perigoso. As coisas vão ficando pelo caminho.

Também já me aconteceu de postergar ao máximo ter que dizer algo pra uma pessoa apenas por imaginar que a reação dela não seria boa para mim. E quando já não havia mais como não dizer, ter dito não representou nada daquilo que eu imaginava. Ou seja, alívio duplo.

Quando o procrastinador de fato cumpre sua tarefa, sente aquela sensação deliciosa de quem tira o piano das costas. Mais ou menos essa que estou sentindo agora que meu relato chega ao fim.

Não pensem que escrever seja um obrigação, um peso, um fardo. Já dei provas do contrário. Acho que é mesmo só a neurose com os prazos.

Tenho tentado encarar o problema de frente e sei que já melhorei bastante em certos pontos. De verdade, só há uma coisa que realmente funciona na árdua tarefa de vencer a procrastinação. Se você tiver algo a fazer, FAÇA AGORA!