Superação e prazer!

Sr. Gilberto é um vitorioso! Casado com D. Guiomar, vem batalhando na vida como todos nós e hoje é empresário no ramo de móveis. Não, não é esse tipo de vitória que eu quero destacar. Tenho certeza de que os méritos pessoais do Sr. Gilberto são outros. Quem, neste Brasil, não “ralou” para crescer?

Acontece que Sr. Gilberto chegou ao consultório, naquele dia de maio 2010, fazendo contas: “Sabe Doutor, disse ele, eu gastei R$ 200.000,00 em cigarro durante os 37 anos que fumei. Vai sobrar mais dinheiro no meu bolso daqui para frente. Tem mais, cada cigarro mede 10 cm e se enfileirarmos todos aqueles que eu traguei durante a vida nós teremos a distância de 54 Km percorridos pelo tabaco. Depois que coloquei o maço de cigarro sobre a geladeira e decidi parar de fumar, calculei também que vou economizar com vocês, dentistas, pois meus dentes não ficarão manchados pela nicotina como antes. Eu tinha que fazer limpeza quase toda semana. Ah, mais economias: vou mascar menos chiclete, pois o hálito de cigarro já não precisa ser disfarçado com goma de mascar; também não precisarei lavar as mãos a cada cigarro apagado para eliminar o odor dos dedos da mão direita…”

Meu amigo e paciente estava seguindo o roteiro proposto pelo autor americano do best seller “Eliminate self-sabotage & creating self confidence” de Anthony Robbins. O escritor afirma que nosso cérebro sempre tenta fazer algo bom para nós, buscando a felicidade e evitando a dor.

Todo mecanismo de mudança e aprendizagem que se apoiar no prazer, com certeza funcionará. Vamos supor que estejamos fartos de uma compulsão ou hábito que possuímos e queremos mudar: a técnica de superação precisará se apoiar no prazer, na alegria e nos pontos positivos que tal mudança vai nos trazer. Então, qual o desafio para evitar a auto-sabotagem? Não confundir nosso cérebro focando mais a dor que o prazer da superação!

Suponhamos que o Sr Gilberto, em vez de enumerar os pontos positivos da mudança, ficasse reclamando da saudade do cigarro. Seria possível parar de fumar?

Anthony Robbins relatou, em seu livro, uma pesquisa com macacos. Estes foram colocados em gaiolas especiais e dentro delas havia três quadrados: um amarelo, outro verde e mais um vermelho. Inicialmente eletrificaram o quadrado amarelo, que, ao ser tocado, causava dor. O animal passou a evitar o quadrado amarelo. A seguir, eletrificaram também o quadrado vermelho. O animal, após alguns dias, ficou depressivo. Por quê? Independente da escolha ele sentia dor. Quando os pesquisadores eletrificaram todos os quadrados, o macaco começou a se morder, jogar-se contra as grades e defecar em si mesmo. Às vezes, isso acontece conosco. Criamos jaulas em nossa mente, associando tudo na vida à dor e isso pode nos enlouquecer.

Não pretendo fazer qualquer campanha antitabagista. Inclusive gosto de cigarro, embora não seja um fumante na acepção da palavra. É que todos nós temos alguns hábitos que nos deixam irritados e queremos mudar a situação. Tomei a liberdade e trouxe para estas linhas a força do Sr Gilberto. Por sinal, ele foi ao Flash Back do Bem (2010) usando a camiseta da campanha da Trident. Tenho certeza de que ele, ao apagar a velinha, comemorando 2 anos sem fumar, em nosso consultório, sentiu-se senhor de si mesmo no controle daquele hábito.

 

Osvaldo Magro Filho
Coordenador e DENTISTA DO BEM de Araçatuba/SP