Relato de Caso

Conheci a S. durante uma triagem realizada na escola de Itaputanga, no município de Piúma/ES. A minha primeira impressão foi de que se tratava de uma criança tímida. Com o desenrolar dos fatos, no entanto, pude perceber que ia muito além disso… tratava-se de uma criança extremamente carente. Carência esta que ultrapassa as barreiras socioeconômicas.

Ela é uma menina muito sensível, que chora com facilidade, e que se apega facilmente a qualquer um que lhe dê um pouco de atenção.

Vive em uma família nada convencional: foi criada pelos avós juntamente com seus irmãos e primos. Reside em uma casa simples, na qual o sustento advêm do avô, que vende pipoca.

É perceptível o seu complexo de inferioridade, proveniente do fato de se tratar de uma criança acima do peso, de baixo nível socioeconômico e, principalmente, por sua má condição bucal.

Apresenta lesões cariosas em estágio de cavitação avançada, sentindo dor frequentemente por causa disso. Sua condição bucal afeta diretamente sua qualidade de vida, contribuindo muito para ela se tornar uma criança extremamente reclusa, que não lê em público e só se socializa com poucas pessoas.  O prejuízo é tanto que o rendimento escolar decai, fazendo com que ela esteja atrasada para sua idade – o que é realmente uma lástima, uma vez que gosta muito de escrever, principalmente poemas e poesias.

Uma vez que o conceito de saúde bucal é amplo, não se restringindo apenas a ausência de lesões cariosas, mas sim a fatores somados, como a qualidade de alimentação, moradia, informação e serviços de saúde, é preciso atenção especial ao grupo de indivíduos em que se encontra a S.. Pois, somente se for dado o suporte necessário, ela conseguirá desenvolver o seu potencial em plenitude.

Tatiane Ribeiro Farias
Estudante do Bem de Piúma/ES