Um pouco mais de mim

Acho que já falei em outro momento que sou o filho mais novo de uma familia de sete irmãos, né? Tenho um irmão 10 anos mais velho, e entre nós dois há cinco mulheres. Isso mesmo, em 10 anos, 7 filhos. Acho que não tinha TV em casa nesta época … Rsrsrsrs.

Fui um filho muito desejado, e por isso sempre achei que não podia falhar, decepcionar e magoar minha família. Muito menos a minha mãe, que nos criou sozinha depois da separação do nosso pai – eu tinha 7 anos na época.

Vivo uma união homoafetiva estável há 18 anos e temos um filhote lindo de quase 7 anos, que desde bebê nos foi dado pela Justiça do estado do Mato Grosso do Sul, onde resolvi viver desde que sai de Minas, onde me criei e formei.

Resolvi vir para Campo Grande, pra poder viver minha vida com felicidade e não dar aquele desgosto que achava que daria a minha familia por causa da minha sexualidade. Claro que não iria conseguir esconder por muito tempo esta CONDIÇÃO – isto mesmo, esta é a palavra correta e não OPÇÃO, como muitos teimam em dizer. A única opção que tinha era ser ou não feliz, a condição nos dois casos não muda. Eu resolvi ser feliz e desde o momento que tive a aprovação total da minha familia, esta situação não era mais problema. Lembro-me muito bem quando contei pra minha mãe.

Não queria que ela achasse que tinha culpa, porque é assim que os pais sentem no primeiro momento… Sentamos juntos em um sofá na minha casa, eu não contive as lagrimas e as palavras não saiam. Ela já sabia que teríamos uma conversa séria, franca, me pediu pra me acalmar e falar. Quando tudo saiu da minha boca, ela disse a frase mais linda que ouvi : ” Meu querido, eu já sabia de tudo desde sempre, é a sua felicidade que me interessa e isso eu sei que você tem, você continua sendo o filho que nunca me trouxe problemas “. Não posso deixar de salientar que minha mãe é septagenária, de uma família mineira super tradicional e de pouca escolaridade.

A partir deste dia, resolvi que minha CONDIÇÃO seria o menor dos meus problemas e assim é. Vivemos no MS que é visto como um estado machista e retrógrado. Não levanto bandeira, mas não me calo diante do inesperado, sigo a minha vida como Ele me fez e me sentenciou. Por este motivo, sou a pessoa mais feliz que conheço.

Resolvi contar esta história porque acho que posso clarear a vida de algumas pessoas com ela. Todo mundo tem na familia alguém nesta condição ou está nela, e não sabe como lidar .

Lidem como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, sabem por quê? Porque realmente é… vocês gostam ou admitem que alguém que vocês não conhecem se metam nas suas vidas íntimas? Claro que não, né? Então, nossa vida íntima, independente da condição sexual, só interessa a nós mesmos. Sabe o que devem interessar aos outros sobre nós ? Caráter, dignidade, trabalho, respeito e amor ao próximo.
Vamos praticar esta crença .

Estevom Molica
Coordenador e DENTISTA DO BEM de Campo Grande/MS