por Marília Martins
(coordenadora voluntária de Guarulhos/SP)

 

Não é segredo para ninguém, sou uma internauta assídua. Daquelas que acorda conectada e só dorme quando desconecta… literalmente. Já perdi as contas de quantas vezes discuti com meus pais ou com o Marcio (meu namorado) pela minha assiduidade na rede. Sempre foi assim, do ICQ ao Facebook. Mas um roteador, um mero roteador queimado gerou um enorme conflito no meu consultório e em mim.

A pergunta que não quer calar: onde vamos parar?! E a que ressoa logo em seguida: quando vamos parar?!

Ok, não dá mais para viver sem internet, mas até que ponto ela nos faz bem? Quantos de nós não deixou um paciente esperando por alguns minutinhos (uns 10 longos minutos para o paciente) só para dar uma espiadinha rápida no Face?! Quem nunca levou o Facebook com suas centenas de “amigos” para a mesa do jantar e deixou de ter uma boa conversa com os pais ou com o marido?! Aposto como muitos deixaram o filho ou o irmão falando sozinho enquanto liam algum feed do twitter… e ainda fizeram cara de quem estava prestando atenção no que era falado. Nas redes sociais temos centenas de amigos, mas estamos cada vez mais solitários. “Amigos” que não sabem o tom da minha voz ou o quão alto é o som da minha gargalhada, amigos que nunca sentiram o calor do meu abraço. Estranho, né?!? Pondé foi genial ao descrever os “narcísicos do Face”.

Óbvio, tudo tem seu lado bom. Não vou só xingar, afinal posso rir muito (e chorar muito também) com AMIGOS que estão longe; Pindamonhangaba, Rio de Janeiro, Corumbá e outros tantos lugares ficam a um clique de Guarulhos… estou certa, meninas?!?! Mas ainda sinto falta do abraço, das gargalhadas, dos puxões de orelha, detalhes essenciais para uma AMIZADE VERDADEIRA que só conseguimos fora do computador.

E nessa loucura toda me preocupo com o mundo que estamos criando para nossos filhos, sobrinhos… o mundo que ajudo a construir para o meu afilhado. A molecada não sai mais na rua para jogar bolinha de gude, taco, peão, queimada; preferem ter um perfil no Facebook e ficar jogando Cityville, Castelville ou qualquer outro ville insuportável. As meninas não sabem o que é papel de carta, afinal escrever é coisa para velhos como o Luiz Gustavo (não pude perder essa… rs). E o mundo está evoluindo de forma tão louca e desordenada que poucas crianças sabem o que é um caderno de caligrafia. “Pequenos monstrinhos” que com 4 anos já sabem digitar. É a evolução da tecnologia…. e a involução do Ser Humano.

Estou assustada….