12
Maio
2014

Selfie: narcisismo ou fenômeno social?

por Luiz Gustavo Oliveira, dentista do bem de Teresina/PI

 

A Internet é onipresente. Estamos sempre online. E os portais de acesso para o mundo virtual não ficam mais em nossas casas ou escritórios, mas dentro de nossos bolsos, amalgamados em nosso ser. 

Tenho me interessado sobremaneira em entender a expansão do espaço virtual na “vida real”, a dissolução das fronteiras entre o online e as realidades e identidades e, especialmente, o potencial de dissolução da vida real que a virtual tem causado.

Nesse contexto, o fenômeno do Selfie, é um dos aspectos mais relevantes dessa dualidade virtual/real. Selfie, palavra substantivada do Self  (“si mesmo” em inglês), significa uma espécie de autorretrato feito com câmeras ou celulares e compartilhado nas redes sociais.

Aparentemente uma prática sem tanta importância, na verdade ela denota a que ponto a superficialidade humana chegou, com pessoas extremamente preocupadas em saírem bem na foto, enquanto outras questões humanas são esquecidas por uma sociedade cibernética fotoshopada.

No meu entendimento, não há como negar que os Selfies têm um componente individual, mas são claramente um fenômeno social. E como tal, se quisermos entendê-los, não podemos nos fixar apenas no indivíduo. É preciso ir além.

Como bem ressalta o escritor Diogo Dider, “enquanto no passado buscava-se o interior do ser humano, seus dilemas e frustrações, agora é o externo que importa. A busca pela imagem perfeita, pelo ângulo exato, fez do homem moderno um manequim de si mesmo, inexpressivo, apenas refletindo uma couraça sem falhas estéticas, mas carente, sem rumo, nem direção”.

O homem da modernidade tem medo de se ver de verdade, preferindo se esconder em sorrisos fingidos, poses forçadas e belezas cirúrgicas. E esse autoengano tem resultado em perfis lotados nas redes sociais, mas relações vazias, contatos vagos e humanos cada vez mais desorientados.

Continua Diogo, “Talvez isso tudo seja apenas um fenômeno passageiro, igual a muitos outros que surgem e desaparecem nas redes sociais. Seja como for, enquanto estiver latente, o Selfie, ou qualquer outro modismo, merece uma acurada reflexão. Pois, nem tudo na rede social deve ser encarado como brincadeira. Há coisas que, mesmo divertidas, escondem práticas perversas”.

Por outro lado, também não se deve criar pânico desnecessário sobre o fenômeno. Como dito, ele não é o principal responsável pela doentia sexualidade social dos indivíduos, por exemplo. Ele é apenas mais um vírus entre tantos outros. Cabe a cada um fazer o uso consciente desse meio e não se entregar à sua superficialidade. Há muitas coisas que devem ser fotografadas e eternizadas. E elas nem sempre são belas, pois a vida só tem sentido porque suas belezas nem sempre são agradáveis aos olhos.

 

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