21
Maio
2014

A Copa está chegando… Não importa o resultado, perdemos!

por Luiz Roberto Scott, dentista do bem de São Paulo/SP

 

 Fulecar :  v.i.
(Brasil) Perder, no jogo, todo o dinheiro
que se possuía ou que se transportava.

 

Em 1970, o escrete canarinho sagrou-se tricampeão mundial no México. Eu tinha onze anos e pude assistir àquela que foi a primeira Copa transmitida pela TV, ainda em preto e branco. E me encantar com o futebol nas narrações do lendário Geraldo José de Almeida.

Vivíamos uma fase turbulenta da ditadura militar, mas isto eu só vim descobrir mais tarde. Lembro-me de ver, em alguns lugares, os cartazes com fotos dos procurados. Isso me lembrava um pouco os filmes de cowboy.  Acho que naqueles anos o mundo era bidimensional. Havia o governo e os “comunistas”, esquerda ou direita. O muro de Berlim imaginariamente dividia o mundo entre o bem e o mal.

O governo Médici usou a vitória da seleção como propaganda de governo. Estávamos em pleno milagre brasileiro, período de grande crescimento econômico. Havia tortura e perseguição política, medo e frustração.  Mas no futebol éramos os melhores. O tricampeonato deu à seleção a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Quanto orgulho! “A taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa…”

Em 1983, no entanto, a taça foi roubada na sede da CBF por Peralta, Barbudo e Bigode (nem os irmãos metralhas tinham estes nomes)…  e repassada a um argentino que vivia no Rio e fazia fundição de ouro roubado. Que vergonha, que desleixo histórico…

O caso só foi desvendado porque um arrombador de cofres negou-se a participar do crime por razões sentimentais… e depois acabou delatando o esquema.

De lá para cá, várias copas, jogadas emocionantes, espetaculares, tudo o que se espera repetir no Brasil. Mas, sinceramente, para mim não haverá emoção. Sinto-me cúmplice das mazelas e de tanta corrupção, dos desvios de dinheiro, do pouco caso com as verdadeiras necessidades nacionais… Não, não vai dar para vibrar. Se em 1970 fui um inocente útil para a propaganda do governo, apenas por ser um apaixonado pelo futebol, desta vez, aos 55 anos, não consigo ser tão apaixonado assim… Edu Krieger , talvez tenha conseguido resumir este sentimento…

 

 

Ah, o nome do arrombador de cofres: Antonio Setta, o Broa. Negou-se a participar do crime porque seu irmão morrera de enfarte na final da copa de 70… ele era o apaixonado pelo futebol. O Broa era ético!

 

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