11
ago
2014

José, João, Salomão e outros…

por Luiz Roberto Scott, dentista do bem de São Paulo/SP

 

É conhecida a história de Salomão que, perante duas mulheres que se diziam mãe da mesma criança, pediu a espada para dividir a criança e satisfazer as duas. Então, uma delas disse: “Se for assim, pode deixar com ela!” E Salomão mandou lhe entregar a criança. A justificativa: só o amor de mãe se absteria da presença da criança em favor de sua vida. Mas, e se a “falsa” mãe estivesse arrependida frente à consequência da mentira? Será que Salomão foi realmente justo? Será que a justiça foi feita de verdade?

A justiça é uma das convenções sociais mais complexas de se estabelecer. Claro que, para os crimes existe o Código Penal. Há também a Constituição e as inumeráveis legislações específicas: O código de trânsito, o código de ética, o estatuto da criança… Mas a justiça não pode ser reduzida ao mundo das leis. Ela deve transcender o Direito, como o entendemos – a tríade juiz, acusação e defesa… E deve se referir, no final, àquilo que é justo – ou não.

Partindo desse pressuposto, faço algumas provocações: O nosso cotidiano é justo? Se a resposta for não, como fazer para que isso aconteça? Como precisar o que é justo ou não? E, mais complicado ainda, como garantir que todo mundo tenha acesso a uma mesma Justiça (com “J” maiúsculo, mesmo)?

Um mundo de oportunidades e menos desigualdades é o sonho da maioria. Porém, nem todos estão aptos, física ou mentalmente, para as mesmas oportunidades. Pensar em Justiça pela equivalência é desprezar as habilidades e peculiaridades das pessoas. Pela diferenciação, é marginalizar uns e beneficiar outros.

Um exemplo: Se José consegue fazer uma limonada com apenas um limão e João precisa de dois limões para conseguir a mesma limonada, Justiça, pela ótica da limonada (consequência; resultado) seria que João tivesse dois limões e José tivesse um… mas, se olhada pelo lado do limoeiro (oportunidade), Justiça seria um para cada… e Francisco também poderia ter um. Qual dos pontos de vista é o mais correto? Difícil escolher…

Agora, um fato é inegável: o mais justo seria que João aprendesse a fazer limonada como José… assim, os dois teriam o mesmo resultado. E, apesar de não podermos desconsiderar o fato de que não basta criar oportunidades, é preciso estar apto a reconhecer e aproveitá-las, no final das contas, a Justiça é isso: a busca constante pelo que é mais justo. Ao chegarmos a esse denominador, encontramos, também, um jeito mais humano de viver em sociedade… de coexistirmos em grupo… de sermos tratados igualmente, ao mesmo tempo em que nossas diferenças são respeitadas. Justo, não?





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